Meu Passado Grita

De tempos em tempos
Meu passado grita
Implora por volta
E à noite incomoda.

Será que, assim,
Diante de novos olhos
Que um novo um mundo enxergam agora
Devo eu pisar nesse novo solo
De forma tão firme
Fechando malditas portas
Que deixei abertas
Na esperança de tudo voltar a ser como antes
Mas ao fim de tudo
Abriram mais um corte em minha alma?

Não seria melhor
Abandonar tudo que ficou pra trás
E esquecer o que,
algum dia,
deixou cicatriz?

Longe de mim, encontrei o amor – Part III

            A natureza escutava umas palavras feias. O jovem rapaz se esbraveja ao gritar um palavrão numa estrada inóspita, num calor de 42º C. O motor do carro havia parado.            A cena que vemos é a de um homem nervoso saindo do carro, pisando fundo por aquela estrada de terra, enquanto sujava seu tênis branco, após bater furiosamente a porta do seu velho automóvel.

            − Essa lata velha tinha que me deixar na mão justo hoje? – Ele gritava enquanto abria o capô do carro, deixando uma fumaça preta se exalar do motor.

            De longe, notava-se a raiva de um homem se espalhar pelo nada. Nada. Absolutamente nada era o que tinha naquela estrada. Não havia um borracheiro, um posto de gasolina, um mecânico ou mesmo uma mercearia. Apenas nada. Um homem, sua raiva, seu carro parado e mais nada.

            − Você tinha que me deixar na mão justo hoje? Depois de viajar por tantos quilômetros nessa estrada esburacada, vendo tantos acidentes e torcendo pra não ser mais um deles, enfrentar toda uma família para, nos fim das contas, acabar só numa estrada como essa? – Ele bateu o capô ferozmente. Era notável que ele não falava do carro.

            E ele soltou um longo suspiro, enquanto passava suas mãos pelos cabelos tentando se acalmar. Chutou um pouco de terra. A poeira subiu até seus olhos e sua boca, o que o levou a uma incomodante tosse e a uma ardente coceira nos olhos.

            E ele tossia. E quanto mais tossia, mais palavrões se ouvia.

            Com a vista prejudicada pela terra, o rapaz virou de forma a chocar sua canela contra o parachoque.

            − O que mais falta agora? – gritou ele.

            De repente, um barulho ao longe. Parecia o motor de um carro. Ele tentava avistar o que vinha, mas sua visão ainda estava prejudicada. Aos poucos, percebia-se que não era um carro, mas vários deles. Sirenes também poderiam ser escutadas ao longe. Policiais se aproximavam.

            − Talvez eles me ajudem – pensou.

            Eles pararam suas viaturas próximas ao carro parado e saíram com suas armas nas mãos.

            − Parado! Mãos pra cima!

            Não era mesmo o seu dia. Nada havia dado certo e agora estava indo preso por um motivo que ele nem mesmo sabia. Se ao menos não tivesse saído da cama naquele dia de sua viagem, estaria muito melhor agora.

            O rapaz tentava pedir explicações, mas só ouvia um “calado” e um “você está errado, cara”. Para piorar, um dos policiais colocou uma venda em seus olhos enquanto outro segurava seus braços.

            − Fica quietinho que vai ser melhor pra você, rapaz!

            E durante meia hora, aquele tormento o dominou. Parecia uma estrada sem fim, onde só se escutava o barulho do motor, enquanto ele não podia fazer nada.

            Mas chegaram, finalmente. Um dos policiais o tirou a força da viatura e o fez caminhar, enquanto ele permanecia de olhos fechados. Seu corpo tremia, enquanto se imaginava vítima de tantas torturas. Poderia ser seu fim.

            Então, ele foi forçado a parar. Tiraram-no a venda e o soltaram. Aos poucos, sua vista foi entendendo a realidade. De princípio, não fugiu, precisava entender a situação em que se encontrava. Um salão, muitas pessoas, grandes corações vermelhos representados por balões e uma linda moça de cabelos encaracolados e olhos claros a lhe esperar. Uma faixa grande escrita SIM de vermelho. Era a mesma moça que lhe fizera perder horas de viagem.

            E, pela primeira vez naquele dia, ele não quis soltar nenhum palavrão. Apenas sorriu, enquanto seus olhos derramavam algumas lágrimas. Todos ao seu redor assobiavam, aplaudiam e gritavam por seu nome. Eles apenas pararam de fazer tanto barulho quando um rapaz cabeludo de terno e gravata se posicionou ao lado da jovem e, com seu violino, se pôs a tocar, enquanto ela pode declamar:

“Meu pequeno coração, de olhos tão belos.
De forma tão confusa, me desesperei,
Sem reação fiquei.
Deixando-te abalado,
Triste e tão solitário
Era meu pecado, deixá-lo naquele estado.

Mas pena minha essa não seria
Arrependida, uma atitude eu tomaria
E uma coragem de dentro sei que buscaria
Não quero te perder. Não poderia.

Apaixonar-me por ti foi inevitável
Agora, aos seus olhos, eu posso dizer
É certeza que ao seu lado desejarei sempre viver
‘Sim’, é o que eu deveria, desde o início, te responder”.

E ela pouco se importou com o estado sujo do rapaz. Num breve instante, já estava em seus braços, tocando-lhe os lábios, sentindo o doce sabor do seu beijo. E desde aquele dia, sob os gritos, aplausos e assovios de toda a plateia, o jovem casal tornou-se um só.

Primeira parte

Segunda parte

Foto de MART PRODUCTION no Pexels

Party In The U.S.A.

Depois de algumas horas de voo, em meu jato particular, eis que finalmente aterrisso com minhas melhores amigas e com meus melhores amigos. Estamos em Los Angeles.

Aqui parece tudo tão estranho, louco e todos se parecem com algum famoso. Será que consigo me encaixar num lugar como esse?

Mas aí me lembro o porquê de estar aqui: Vim encontrar um grande amigo que comemora mais um ano de vida. Esse amigo tão especial que conheci em umas dessas viagens por esse grande país norte-americano. Um amigo que, aos poucos foi me cativando e ganhando meu coração. E hoje vim aqui especialmente por ele: para lhe dar os parabéns.

É, e a surpresa nem para por aqui. Vamos dar uma volta por essa cidade maravilhosa e parar num dos bairros mais famosos do mundo: uma tal de Hollywood. Ah, é agora que nossa fantasia começa: Deixamos de lado toda essa vida que temos para sermos astros tão bem aclamados pelo público.

Ali, vamos gravar algumas cenas para o cinema e, quando tudo estiver pronto, compomos nossa música para que faça sucesso por esse planeta azul. As cenas do clipe foram todas gravadas e ficaram ótimas. Deu até um frio na barriga, mas valeu a pena, quando vi esse brilho no seu olhar, que combinou muito bem com esse seu sorriso.

E é isso, meu amigo. Vamos levantar as mãos para o ar e gritar pra todo mundo ouvir: Hoje é dia de festa, hoje é o dia da sua festa. Vamos aproveitar esse dia maravilhoso que eu sei que você não quer que acabe nunca. O dia é seu, então faça dele o que você desejar. Vamos comemorar.

Bem, esse é meu presente para você e espero que goste, meu amigo. Felicidades e sucesso sempre. Quem sabe um dia não possamos repetir tudo isso que vivemos hoje?

Raridade

Raridade

 

Talvez você ainda não tenha entendido, mas existe uma pedra preciosa aí dentro de você que não foi lapidada, esperando apenas pelo seu toque.

Eu sei que existe uma força que pode levar você a lugares inexplorados, mas você não se permite enxergá-la. Você não acredita que é capaz de lutar e lograr seus êxitos.

Vou lhe contar um segredo: Há grandes vitórias que você conquistará. Apenas se lembre de que para chegar ao topo de uma escada tão grande, é preciso dar o primeiro passo, mas você tem hesitado muito.

Você não estaria aqui se não tivesse sua raridade. Deus te pôs aqui para um propósito, pois Ele reconhece seu valor. Você não deveria fazer o mesmo?

Então, pare de chorar por esse mundo que não o reconhece como deveria, pare de pensar em desistir sempre que algo der errado. Se Ele sabe do seu potencial, não é você quem vai se fazer cair, certo?

Não espere, levante-se! Venha! Está pronto? Espero que sim.

Longe de Mim, Encontrei o Amor – Part II

Leia a primeira parte do conto clicando aqui

Talvez, você não saiba, talvez não tenha decifrado em meus olhos, talvez você não tenha certeza do que estou sentido, mas sei bem o que você deve estar pensando: “Por que ela fugiu dos meus braços naquela noite?” Agora estou aqui, em meu quarto, triste por uma atitude tão tola.

Fiquei nervosa, eu sei. Todos aqueles flashes e olhares para a minha pessoa. Ah, como eu fiquei tímida, como fiquei nervosa. Meu pensamento quis dizer “sim”, meu coração quis dizer “sim”, minha boca estava quase dizendo “sim”, mas meus pés foram mais rápidos e me fizeram fugir dali.

Devo ter partido seu coração. Não me leve a mal. Quando vejo seu rostinho tão fofo, sorrindo pra mim com o olhar mais inocente do mundo, percebo o quanto ganhei na minha vida.

Já procurei tanto, mas quando estava quase desistindo de lutar, veio meu cúpido e me flechou de tal forma que não pude controlar.

Estou pronta para entregar meu coração a você, pois sei que é digno de cuidar bem dele como cuida tão bem do seu e sei como está disposto a enfrentar tantas barreiras que te aflige para lutar pelo nosso amor. E você não lutará só, pois lutarei sempre ao seu lado.

E era exatamente assim que eu escreveria nossa história. Parece ser tão simples quando rascunhamos lindos desenhos deste maravilhoso conto, apenas desenhando nós dois sentados à beira do mar, vendo o sol se pôr, de mãos dadas, com tantos corações voando, enquanto tocamos os lábios do outro.

Mas eu falhei. E com apenas um tropeçar, deixei que essa folha caísse no mar e se molhasse e ao tentar pegá-la, ela se rasgou, deixando-nos uma lágrima.

Desculpe-me por ter fugido. Agora estou aqui no quarto, desejando que você me dê uma nova chance para que eu possa ver você novamente, com esse seu olhar puro e encantador que me faz apaixonar. Sinto tanto sua falta. Será que não há um meio fácil de dizer tudo isso? Eu me sinto tão mal de estar aqui sozinha, esperando por você…

Quando estava prestes a perder minhas esperanças, eis que uma luz surge e penetra em meu ser.

*

  • Ei, psiu, gatinha…

Escuto alguém me chamar. Olho pela janela e vejo aquele velho amigo seu.

  • Acho melhor você vir aqui agora. Seu namorado está partindo, não podemos perder tempo!

Sem ao menos ter tido tempo de pensar, troco de roupa e corro para seu carro. Ele me explica tudo pelo caminho:

  • Você deu mancada, o rapaz está pensando que você não o quer.
  • Eu não tive culpa, fiquei muito nervosa! Se ao menos pudesse voltar no tempo.
  • Não há com o que se lamentar. Ele ficou muito mal e pegou o carro com a intenção de voltar para sua terra. Pedi que fosse te ver antes para ouvir uma explicação sua, mas ele disse que não acreditava mais no amor.
  • Preciso reconquistá-lo, mas como? Ele deve estar longe agora!
  • Se eu perguntasse a alguns dos meus amigos policiais, talvez saberíamos por onde ele já tenha passado.
  • Você tem amigos policias?
  • Sim, tenho alguns!
  • Tive uma ideia! Por favor, deixe-me no hotel que ele se hospedou. Eu explico tudo pelo caminho.
  • Tem certeza de que isso pode dar certo?
  • Acredite em mim! É minha última chance de ser feliz ao lado dele.

Prólogo – Serenata

(…)

Mais tarde, naquele mesmo dia, eles voltaram para seu humilde lar, de poucos cômodos, uma lareira na sala e uma escada próximo à cozinha. Eles sobem. No andar de cima, dois quartos, um corredor e um pequeno banheiro. Eles entraram no quarto de Vinícius que logo entrega um violão a Matheus, encontrado numa pilha de roupas sujas.

O lugar cheirava a pizza e tênis velho e era impossível não reparar na bagunça. Algumas formigas também poderiam ser vistas em algum canto e, quem sabe, uma baratinha, de vez em quando.

  • Seu chiqueiro está cada dia melhor – diz Matheus reparando no quarto, enquanto pegava o violão – daqui a uns dias invade meu quarto também.
  • É o mal de quem nunca tem tempo pra nada, você sabe – justificou Vinícius.
  • Meu tempo também é escasso e nem por isso chega a esse nível – retrucou Matheus – se as garotas conhecessem esse seu lado, você morreria solteiro.
  • Por isso que sempre as levo pra um lugar mais arrumado – dizia Vinícius, enquanto dava uma piscada sutil para ele.
  • Ah, seu safado! – diz Matheus agitando o amigo.
  • pensando que seu brother é bobo? – diz Vinícius no mesmo tom.

Os dois caem na risada. Vinícius sempre foi um rapaz namorador, de muitas mulheres, ao contrário do amigo sempre tão tímido.

  • Mas, e aí, meu parceiro? Vamos tirar a teia de aranha dessa velharia e soltar o cantor que há em você? – Desafiava Vinícius.
  • Que papo mais estranho é esse, brother? – Zoava Matheus.

Então, daqueles ágeis dedos começavam a soar velhas canções, mostrando que seu talento apenas estivera adormecido. Durante uma dúzia de anos, Matheus dedicou-se à música aprendendo com alguns velhos professores que procuraram esse emprego após terem se aposentado. Vinícius, por outro lado, preferiu aprender outras artes, como a de cozinhar e a de lutar.

  • Ok! Agora vamos compor um pouco – sugeriu Vinícius.

Então, madrugada a dentro, ambos compuseram. Apenas se escutavam duas vozes masculinas, um violão, um lápis, pontas quebradas e a borracha deslizando pela folha, amassando-a por várias vezes. Quando finalmente o galo cantou, o sono os nocauteou.

Na manhã seguinte, ou melhor, na tarde seguinte, após se servirem de um belo almoço feito pelo próprio Vinícius (que, sem dúvidas, estava uma delícia), eis que o bom cozinheiro sugere a seguinte ideia:

  • Falta algo na sua melodia e acredito que alguns amigos músicos podem nos ajudar. Lembra-se de Fernando? Ele é violinista agora.
  • Aquele cabeludo? Poxa, um rapaz tão tímido! Jamais pude imaginar.
  • Pois é! Começou a compor depois que se divorciou. Passou um tempo numa terrível depressão e a música o ajudou. Hoje ganha uma boa grana tocando numa banda de rock clássico. A banda se chama ‘The Pedrocks’. Mas, acredite, foi um tanto difícil convencê-lo a sair da fossa. Trouxe-nos muitos problemas durante um tempo, mas jamais o abandonamos.
  • E pensar que ele sempre foi uma criança tão alegre, educada, inteligente, apesar de muito tímida.
  • E muito criativa – completou Vinícius – diga-se de passagem.

Vinícius liga para o violinista, enquanto Matheus pega o celular do amigo em busca de mais algum contato que possa ajudá-los. Depara-se com um jovem sentado, de pele parda, cabelos por se escovar, óculos escuros, calça laranja e apoiando uma guitarra em suas pernas como se estivesse tocando. Matheus não o reconhecera, mas acreditou que este seria de grande valia.

Após Vinícius desligar o telefone e informar ao amigo que em menos de uma hora Fernando chegaria, Matheus mostrou-lhe a foto que havia visto e perguntou a identidade do então desconhecido.

  • Grande Marcelo! Conheci essa figura pelos bares da vida. Um guitarrista de primeira.
  • Você tem um amigo que eu não conheço? – Indagou Matheus.
  • Digamos que foi num dos meus momentos de fossa – começou Vinícius.

Matheus lhe deu um olhar meio chateado, percebendo que uma parte da história do amigo ainda era desconhecida.

  • O que foi?
  • Você tem um amigo que eu não conheço? – Matheus repetiu num tom mais alto.
  • Poxa, eu também tive meus tempos de solidão. Naquela época, quando eu terminei com… bem, você sabe. Eu não queria ver ninguém. Vivia bebendo pelas noites. E numa dessas, eu o conheci. Sua guitarra e sua banda me trouxeram de volta à lucidez. Foi assim que nos tornamos amigos.
  • Quer dizer que ao invés de você pedir ajuda a mim, você foi desabafar com um desconhecido? – Matheus já começava a ficar um pouco sério.
  • Não vamos brigar por isso agora, meu chapa. Deixemos essa história pra depois. Agora temos que nos ocupar com sua canção – Vinícius tentava acalmar Matheus.

Após uma longa pausa, mas planejando conversar sobre aquele fato desconhecido, Matheus finalmente solta:

  • Isso explica as manhãs em que você chegava bêbado e as noites que você se trancava no quarto.

Vinícius, apesar de ser um cara mais sociável, tinha uma característica curiosa: sempre que passava por um momento ruim, que lhe causasse grande dano sentimental, preferia se recolher à própria bolha que ele chamava de ‘insignificância humana’. Era um período em que ele comia pouco, bebia muito, dormia pouco, chorava muito, falava pouco, brigava muito, mas, na maior parte das vezes, mantinha-se isolado. Matheus sabia disso e, por muitas vezes, preferia não mencionar nada sobre o assunto tampouco incomodá-lo, até que tudo voltasse ao normal.

Todavia, não era esse um dia ruim. Era o de grandes ideias e boas composições. Matheus questionava ao amigo como Marcelo tocaria guitarra sabendo que na rua não haveria tomada, mas Vinícius já tinha uma resposta:

  • Marcelo tem uma caixa potente de som portátil. Ele a carrega para qualquer lugar. Alimenta-se de uma bateria capaz de aguentar um dia inteiro de trabalho. E sei que ele pode dar vida a nossa melodia. Vai se impressionar com seu talento.
  • Mas é a guitarra ou o Marcelo que se alimenta de bateria? – Brincou Matheus.
  • Idiota! – Disse Vinícius, acertando-lhe o travesseiro no rosto, fazendo-o cair na cama.

E com o passar do tempo, eles foram aperfeiçoando o arranjo até que finalmente põem um fim na composição. Já estava decidido que na noite de sexta-feira seria feita uma bela serenata a Lina. Teriam três dias para treinar. Matheus fez todos os exercícios possíveis com a voz para não fazer feio. Os outros, que compareceram nos dias seguintes de treinamento, não deixavam de checar a qualidade dos instrumentos.


Chega a grande noite. Os rapazes começam a organizar os instrumentos em frente à casa de Lina, uma casa de dois andares, tendo o quarto da jovem mulher uma sacada de frente para uma praça bastante arborizada e iluminada. A rua não era muito movimentada, o que não impediu que a banda se instalasse ali. Enquanto eles se arrumavam, a multidão parava próxima a eles, curiosos.

Hora de ligar os instrumentos. A banda começa com um toque suave e Matheus, no microfone, começa um pouco tímido no vocal. Vinícius assumiu a posição de violonista, enquanto os outros tomavam suas respectivas posições.

Então, a música começou a soar pelo quarteirão.

Lina, usando um conjunto de moletom lilás (fazia frio naquela noite), saiu na sacada, esfregando os olhos e tentando entender o que acontecia ali embaixo, estando ainda dominada pelo sono. Aquela barulheira despertou a curiosidade (e a ira) de alguns vizinhos. Os pais de Lina também apareceram na sacada ao lado.

O pai de Lina, Valtênio, é um senhor de quase sessenta anos, negro, usa bigode, é grande e gordo. O seu semblante demonstra que está quase sempre de mau humor. Tratando-se da filha, então, é capaz de fazer até o homem mais forte da academia sair correndo.

A mãe, Tereza, é apenas dois anos mais nova que o marido. De pele parda, baixinha, com algumas gordurinhas localizadas, possuía, naquele momento, uma feição assustada. Estava de bobes e uma camisola que lhe batia no calcanhar.

Lina era negra como o pai. Magra, seu rosto lembrava muito ao da mãe. Era pouco mais alta.

E o quarteto continuava a tocar.

Lina estava espantada com a banda ali embaixo, mas feliz. Quando se deu conta de quem era o dono daquela voz, pôs-se muito animada, o que não agradou ao pai. A mãe, prosseguia com a mesma reação.

De repente, o pai de Lina sai da sacada. A banda continuava a tocar, Lina se debruçava na sacada para vê-los melhor, mas ela não teve uma visão muito agradável, quando, após alguns minutos, todos eles foram molhados por um balde jogado por Valtênio, que gritava furioso para que eles fossem embora. E eles foram, mesmo aos gritos de protesto da filha:

  • Pai, como pode? – ela voltou para o quarto chorando.

E ele sabia que na manhã seguinte, a moça reclamaria por essa atitude tão hostil que vem se repetindo ao longo dos anos. Por essa mesma razão, Lina, que sempre sonhou em se casar com um rapaz romântico, nunca pode experimentar o toque de um beijo. Seu pai era muito protetor, por isso, atitudes de tipo não eram bem-vindas.

Quando voltaram para a casa de Matheus e Vinícius, conferiram o funcionamento dos instrumentos e trocaram suas roupas por outras secas, eles comentaram sobre o incidente.

  • Brother! Espero que ela não tenha puxado o pai, senão todas as brigas de vocês terminarão com um banho bem gelado – brincou Vinícius, todos riram.
  • Na minha opinião, a garota gostou, mas eu recomendaria que vocês fossem a um lugar mais tranquilo, longe daquele mal-humorado – aconselhou Fernando.
  • Também sim, mas preciso bolar algum plano para tirá-la de lá. Também preciso de um bom lugar para levá-la, que não a assuste – disse Matheus.
  • Quanto ao lugar, não há problemas – disse Marcelo. – Há um campo florido há poucos quilômetros da cidade. É um lugar bem tranquilo e seguro.

Marcelo descreveu o campo a Matheus, enquanto Vinícius e Fernando bolavam um plano de como ‘sequestrariam’ a garota. Resolveram estudar a rotina da família.

Então, o plano foi o seguinte, executado dois dias depois:

Na parte da manhã, os pais saíram para trabalhar, deixando a moça sozinha. Marcelo foi até a casa dela, tocou a campainha e conversou por alguns instantes com a garota. Levou-a para onde estavam Fernando e Vinícius e, logo que os reconheceu, abriu um sorriso, já o desfazendo lembrando-se do ocorrido na última noite.

  • Peço desculpas a vocês. Meu pai não gosta de romantismo e acha que a filha não é madura o suficiente para receber uma singela serenata, não importa de quem seja.
  • Tudo bem, nos divertimos muito naquela noite – respondeu Vinícius.

Os rapazes se despediram, deixando apenas Matheus e Lina a sós. Matheus sugeriu que fossem a algum lugar mais tranquilo para que pudessem conversar melhor, convencendo-a de que ainda havia uma surpresa para ela.

  • Surpresa? Pra mim? O que seria? – Perguntou Lina, curiosa.
  • Ok! Vou te contar para acabar logo com isso.

Lina olhou fixo nos olhos de Matheus aguardando o término de seu silêncio, até se dar conta de que ele não falava sério.

  • Ah, , é surpresa! – Disse Lina, desapontada.

Matheus riu.

  • Confie em mim!

Matheus pegou uma venda escura. Lina se mostrou assustada. Afinal, qual o motivo de se ter uma venda naquele momento?

  • Tudo bem! Mas, se for algum tipo de pegadinha, digo a meu pai que você me sequestrou e não me importarei nem um pouco com as consequências.
  • Tenho cara de sequestrador por acaso?

Ambos riram, até que Lina ficou completamente séria e disse:

  • Sim, você tem!

Por um instante, Matheus manteve em si um semblante de preocupação.

  • Também sou boa em assustar as pessoas – disse Lina com tom sarcástico, rindo logo em seguida.
  • Garota! Nunca mais faça isso, por favor. Senti meu coração parar de bater.

Lina deu uma leve piscadela antes que o rapaz colocasse aquele tampão gigante em seu rosto.

Depois, eles entraram no carro (claro que ela precisou de ajuda para não tropeçar). A estrada não era muito favorável, pois era cheia de buracos o que, algumas vezes, fez Lina dar um pulo de quase bater a cabeça no teto.

  • Que estradinha terrível! É pra isso que pagamos nossos impostos? – reclamou Lina entre um pulo e outro.
  • É uma lei pra ajudar os mecânicos. Quanto mais estradas, mais serviço pra eles. – brincou Matheus.

Ambos riram. Foram conversando um pouco até estacionarem em seu destino. Claro que podemos apreciar um momento de gentileza por parte do jovem apaixonado. Também pudera, já que, se ele não tivesse feito isso, a moça vendada permaneceria sentada por muito tempo.

E a venda foi retirada. A vista era de um lindo campo com rosas brancas muito bem cultivadas, árvores que faziam sombras frescas próximas a uma represa, onde o gado matava sua sede, além de uma tenda, uma toalha vermelha esticada sobre a grama com frutas, pães, bolos, sucos, café, chá, tortas e outras delícias que foram preparadas pelo guitarrista Marcelo.

  • Uau! Essa vista é linda! – Disse Lina, surpreendendo-se.

Uma bela cena romântica. Matheus lhe dera o braço e ambos caminharam para o piquenique. Conversaram, riram e contaram um pouco da própria vida. Eles já se conheciam havia um tempo, mas apenas de vista. Lina nutria uma paixão platônica pelo rapaz há mais tempo que ele, mas como seu pai era bastante rigoroso, nunca teve coragem de começar qualquer conversa saudável com o rapaz. Já ele, tão tímido, não sabia como se declarar, até que seu melhor amigo lhe desse um pequeno empurrão, sugerindo-lhe uma serenata.

E agora ambos estavam ali, saboreando um delicioso banquete. Então, depois de tanto conversarem e se darem por satisfeitos, Matheus escorou-se na árvore, deitando-a sobre seu peito. Enquanto ele acariciava seus longos cabelos, puxou um livro e começou a ler. Era uma história romântica de um príncipe que se apaixonava por uma plebeia.

  • É muito triste como a sociedade julga um amor desses por conta da diferença de grana. Que bom seria se cada casal pudesse criar sua história de amor do seu jeito, sem os olhos críticos desse tigre faminto que tanto só vê o ódio onde não deveria estar – Lina refletiu por uns instantes.
  • Sim, tão triste quanto um pai que não permite que sua filha faça um homem o mais feliz de todo o planeta. Se ele soubesse ao menos que ela também desejar criar sua própria história de amor, assim como ele um dia o fez. Se ele ao menos soubesse que esse homem cuidaria muito bem dela e a faria muito feliz.

E foi nesse instante que ela se levantou do peito de Matheus, olhou-o nos olhos e perguntou:

  • Será que eu conheço bem essa história?
  • Será que não está na hora de nós criarmos a nossa história?

E eles se olharam por alguns instantes. Lina abaixou seu olhar, dando-lhe um sorriso. Finalmente, disse:

  • Sim! Deveríamos. Deveríamos construir essa história juntos.
  • Eu estou disposto a transformar nossos corações em um.

E a orquestra da natureza não parava: Era o vento soprando as folhas das árvores e da relva tão bem cortada, o gado pastando e bebendo sua água, os pássaros cantando felizes enquanto sobrevoava aquela área e os macacos brincando entre tantos galhos, sem se preocuparem com nada.

De repente, tudo ficou em silêncio. Quase tudo. De longe, ainda se ouvia uma orquestra de uma nota só: ali, naquela paisagem tão encantadora, nascia o primeiro beijo.

Cinco Patinhos

Conto infantil proibido para menores

Era uma vez, uma mamãe e seus cinco filhos. Após o almoço, os cinco jovens foram dar uma volta. Entretanto, um deles havia se perdido do grupo e encontrou uma gangue da pesada que vendia substâncias ilícitas. E o primeiro filho viu como aquilo o trazia dinheiro e resolveu ficar com seus novos amiguinhos. No fim da tarde, a mãe gritou: “Filhos, é hora do jantar!” E apenas quatro filhos voltaram para casa.

No segundo dia, após o almoço, os quatro jovens foram dar seu passeio vespertino. A segunda moça se perdeu do grupo e se envolveu com alguns homens que trocavam certo trabalho íntimo por dinheiro. E a segunda filha viu como aquele seu novo trabalho lhe rendia bons lucros e resolveu ficar com seus novos amiguinhos. No fim da tarde, a mãe gritou: “Filhos, é hora do jantar!” E apenas três filhos voltaram para casa.

No terceiro dia, após o almoço, lá se vão três jovens para seu passeio diário. O terceiro filho se perdeu do grupo e conheceu alguns caras legais que ajudam as pessoas que tinham baixa renda. Eles vendiam produtos de origem duvidosa a preços muito modestos. Era um pouco arriscado, pois alguns homens maus tentavam acabar com esse serviço. Mas, o terceiro filho viu como aquilo podia lhe trazer sustento e resolveu permanecer com sua nova família generosa. No fim da tarde, a mãe gritou: “Filhos, é hora do jantar!” E apenas dois filhos voltaram para casa.

No quarto dia, após o almoço, lá se vão os dois caçulas passear pelo já conhecido caminho. O quarto filho se perdeu do caçula e conheceu uma mulher rica que lhe prometia tudo. Seu único serviço seria trocar um pequeno pedaço de papel escrita uma quantia em dinheiro com uma assinatura que não lhe pertencia por mercadorias. E ele viu como aquilo o mantinha em uma vida confortável e resolveu continuar com sua nova namoradinha. No fim do dia, a mãe gritou: “Filhos, hora do jantar!” E apenas o caçula retornou para casa.

No quinto dia, após o almoço, o filho sai de casa sozinho. Encontrou vários homens com armas nas mãos caçando espécie raras de animais para retirar suas peles. Como aquilo era tudo muito lindo, o caçula resolveu se aproximar e conhecer melhor aquele velho trabalho. Os homens disseram que se vendiam muitas peles para as pessoas na cidade e no final se faturava uma boa grana. O filho ficou feliz com a  informação e resolveu aceitar seu novo emprego. No fim do dia, a mãe gritou: “Filhos, hora do jantar!” E ninguém voltou.

No sexto dia, que era sábado, a mãe ficou com preguiça e não saiu da cama. Era um dia lindo.

No sétimo dia, a mãe foi até a polícia e disse que algo estava estranho. Sua casa costumava viver cheia e perguntou qual era o mistério. A polícia perguntou se mais alguém morava naquela casa e ela disse que tinha mais 5 ‘alguma coisa’ que moravam com ela. Então, ela se lembrou dos filhos e se apavorou. A polícia foi atrás e começou a dar tiros. Assustados, os filhos foram aparecendo um a um arrependidos. Eles não foram presos, pois entregaram seus ‘superiores’, que também não foram presos (mas isso é outra história). A mãe lhes deu uma surra e eles nunca mais saíram de casa, durante vinte e cinco anos.

Moral da história: Se você tem filhos e suspeitar que um deles desapareceu, conte. É bem provável que sua suspeita esteja correta.

Firework

Hoje acordei com mais uma missão: ajudar um grupo de pessoas abaladas pelo mal da sociedade: o julgamento. Ela não é feliz e quer que nenhum ser vivente seja. Mesmo que deem o seu melhor, sempre haverá algo de errado. Entenda: o erro está neles.

Quanta gente. Nenhuma alegria. Esses olhares tristes me dão certo frio na espinha.

“Vocês estão todos aqui pelo mesmo motivo?” – Perguntei.

A resposta foi única: Não! Cada um alegava uma dor diferente.

  • Minhas amigas são todas magras, saradas, enquanto estou 25kg acima de meu peso. Não consigo um namorado e todos me apelidam de algum animal pesado.
  • Tenho apenas 9 anos e tenho câncer. Meus colegas de escola têm medo de se aproximarem de mim, pois não querem se contagiar com minha doença incurável.
  • Todos os homens da minha família são bem-sucedidos. Eu não. Meu carro é antigo, ganho um salário que mal paga minhas contas, tenho quase 40 e não me casei.
  • Sou gay. Perdi meus amigos quando me assumi, minha família mal fala comigo e os que ainda tentam, dizem que devo me curar, se eu quiser ser salvo ou se eu não quiser apanhar pelas ruas.
  • Sou negra. Tratam-me como uma escrava, como um ser inferior. Já tentaram me estuprar, dizendo que eu vim a esse mundo apenas para servir.
  • Minhas tatuagens e meus piercings não me permitem arrumar um bom emprego, tratam-me como um criminoso, mesmo que minhas atitudes sejam executadas pensando no bem do próximo.

Eram problemas diversos, mas todos provindos de uma mesma razão: a sociedade não os aceitava por serem diferentes. Pressão, por não estarem num padrão. São tantas palavras ruins que é impossível não se sentirem como um frágil castelo de cartas, facilmente derrubado com um sopro.

Com alto e bom som, iniciei meu discurso:

“Prestem atenção no que tenho a dizer! Vocês estão se permitindo afundar num mar de sangue e lágrimas que lhes puxam sem qualquer piedade. Tem sido uma luta difícil com tantos obstáculos, já presentes numa velha rotina. Precisamos sair disso, juntos!

Fechem seus olhos. Tudo está tão escuro, não é? Se vocês repararem bem, perceberão um pequeno ponto de luz, ao longe. Caminhem até ele, façam-no crescer até que sejam capaz de senti-la.

Todos aqui tem algo especial que o torna único. Talvez você ainda não tenha descoberto qual o propósito de seguirem por essa jornada. Eu sugiro que tentem, quebrem mais a cara, arrisquem-se mais. Talvez vocês percam a fé por ser algo tão trabalhoso e não verem um resultado tão breve, mas sei que cada um de vocês aqui hoje, começando pequenos ou não, vão surpreender cada pessoa que teve a audácia de julgá-los, de desacreditarem e dizerem que foram fracos.

E quando vocês reencontrarem a fé, esse pequeno ponto os envolverá. Esse pequeno ponto é a luz que os faz brilhar, que os faz pessoas melhores, que os faz olharem nos olhos de cada um e dizer: eu sou capaz, eu sou vitorioso. E essa luz, brilhando em você, se explodirá no céu, como fogos de artifícios, admirando a todos esses olhos que não fizeram parte de sua luta.

Agora vão! Lutem! A vida é muito curta para vocês lamentarem seus fracassos. É hora de se desafiarem, é hora de conquistar seus troféus, é hora de vencerem.”

À sociedade julgadora, um apelo: vamos parar com as críticas e elogiar mais, ajudar mais, olhar o que há de melhor nas pessoas e fazer desse um lugar melhor para viver? Reflita sobre esses atos. Eu acredito que possamos mudar e fazer a diferença, então: vem comigo. Vamos limpar essa bagunça que deixamos em nossos quartos.

Longe de mim, encontrei o amor

Só mais esse nó na gravata e tudo pronto. O reflexo do espelho agora mostra um novo homem, seguro, forte, feliz e apaixonado. O espelho me apresentava aquele cara tão bem arrumado, tão bem vestido e tão bem penteado.

O frio na barriga me faz companhia, desde que de minha terra parti. Tantos quilômetros rodados só para ver aqueles olhos que me encantaram. Olhos que se fecham quando sorri, que se abrem quando se espanta, que se abaixam quando está triste, que se enrugam quando está brava. Decifro cada sentimento apenas com seu olhar.

Alguns só me fazem criticar. “Tantas mulheres lindas por aqui e você procurando tão longe?”. Eles não entendem que meu coração está lá, que partiu e me deixou pra trás. O que me resta é ir atrás dele, certo? “Você está se arriscando demais, pode partir seu coração e sofrer uma grande desilusão”. Sim, eu sei, estou me arriscando demais, mas, dane-se! Dane-se tudo! Eu vim aqui pra me arriscar mesmo, pra me arriscar por ela!

Pego meu carro, coloco uma música romântica no som e vou cantando com meus pensamentos nela. “Eu quero ser teu sol / Eu quero ser teu ar / Sua respiração” é a nossa canção, aquela que toca em meu coração.

Estaciono próximo ao seu portão. A campainha toca. Aquele velho frio aumenta. “Como você está tão linda”, é o primeiro pensamento ao te encontrar. Seus cabelos encaracolados, aquele vestido comprido e aqueles olhos, ah! aqueles olhos claros que me fazem pirar.

Eu a abraço, sinto seu perfume. Por um instante, fecho meus olhos e aprecio aquele aroma delicioso. Seu toque me faz perder em pensamentos tão profundos que se parasse o tempo naquele instante eu não me importaria. E novamente me pego admirando seu lindo rosto, tão mais belo quanto imaginava ser.

Abro a porta do carro, seguro suas mãos e a espero entrar. Vamos a um restaurante para um romântico jantar. À luz de velas e um violão, me ponho a cantar: “A fonte desse amor veio do seu olhar / Direto pro coração”, ela me fez apaixonar.

E da música no violão se teve um fim, ao contrário do meu coração que continuava a soar:

“Meu carinho, meu ar, meu desejo,
Sei que é um pouco cedo,
Mas algo aqui dentro,
Por ti me faz suspirar.

De terras tão frias
Parti e vivi
Nas estradas por dias
Até poder te encontrar

E Não há palavras que expresse
O que sinto sem medo
Ditas em bom tom
A quem queira escutar.

Me Bate um anseio,
É difícil, mas supero
Esse medo pequeno
Pois algo me faz acreditar.

Que o nosso destino
Você, eu e o carinho
Pra sempre juntinhos
Sei que vamos estar”

Então, segurando uma rosa, o salão se põe em silêncio, todos, na expectativa me vêem ajoelhar, olhar em seus olhos, até que finalmente me ponho a dizer:
“Quer ser minha namorada?”

Música citada no conto:

Conto de inspiração para Daniela e Ariston.

Best of You

Ei, eu sei que errei, mas será que eu posso te pedir apenas um minuto de atenção?

Lá se vai partindo o idiota novamente que fica aqui, com as próprias palavras, se arrependendo de uma ação impensada, mesmo depois de tanto tempo. Sim, esse sou eu, sendo obrigado a recomeçar mais uma vez.

Perfeição. Tá aí uma palavra distante de mim. Errei e acabei machucando seu coração.

Ei, mais peraí. Antes de partir, me sinto carregar a obrigação de te dizer algo. Essa sua lágrima escorre por meu pecado e sou eu quem não deve permitir que outra mais molhe o chão. Por favor, antes de me ver partir, permita que eu olhe em seus olhos pela última vez.

Eu já te vi lutar e sei que é uma pessoa forte. Isso que você sente agora não combina com você. Então, reaja! Dê o melhor que há em você.

Você tem esse jeito meio orgulhoso e não gosta quando as pessoas, mesmo as que mais te amam, te ajudam de certa forma. Pode te parecer um teste ou talvez você apenas resista pois esse é ‘seu jeito dramático de ser’. Você prefere brigar quando apenas tentam despertar o que há de melhor em você. Então, pare com todo esse orgulho e se permita crescer por um instante. Não há com o que se preocupar, você os conhece bem: são seus amores, são seus amigos, são sua família. Se preocupam à vera com você.

Já é um velho conhecido esse medo em seus olhos. Sua zona de conforto talvez seja capaz de cegá-lo. Que tal se mudar um pouco de sua rotina? Que tal se permitir conhecer um novo lugar para morar, encontrar novos amigos, estar mais próximo de quem tanto te ama. Deixe a insegurança de lado, tá na hora de olhar para um novo horizonte.

Sua confiança também pode ter se tornado um empecilho. Tornou-se difícil acreditar novamente após ter seu coração partido, eu sei como se sente. Mas seria saudável fazer de tal sentimento se esvanecer por algo tão estúpido? Sim, você deve continuar confiando! Transforme o que se tornou negativo em uma esperança de que há sim pessoas melhores do que a mim, velho tolo que ainda há muito o que aprender deste mundo.

E sabe por que mesmo assim mantenho essa preocupação, mesmo que não haja mais laços entre nós? Pois assim um dia você foi comigo. Você queria me ver crescer e estendeu sua mão quando mais precisei. Mesmo tão mal, você foi capaz de me fazer enxergar o que a vida sempre quis me ensinar. Com um tapa forte e inesperado, finalmente entendi o que sempre esteve à minha frente: Passos desenhados ainda não marcados por meus velhos sapatos.

Pois é, fica mais difícil agora seguir sem seus conselhos. Até tentei me enforcar, mas o legado de nossa amizade foi exatamente esse: você me deixou forte demais para que eu não desista tão fácil. Portanto, de mim o que resta é te deixar esta última mensagem, eu não poderia partir sem ela. Só espero que coração se permita tocar só mais essa vez.

Ok, você pode ir agora. Já tomei parte de seu tempo. Creio que você seguirá tirando de si o seu melhor, pois conheço muito bem alguém que já faz isso por você há um bom tempo. E esse alguém encontra-se aí do seu lado. Sempre esteve. E você sabe bem disso.

Quanto a mim, o que aqui dentro fica é um buraco sombrio que logo se extinguirá. Eu sei, eu sei. Também darei o meu melhor, também há alguém querendo o meu. Só há um problema: eu já tô cansado demais de começar tudo de novo.

Das mais belas rimas nasceu você

Quando eu era garoto, um vazio sentimento de nome solidão se apossou de mim. Sentia, de longe, um vento gelado batendo em meu peito assim. Meu coração me apertava e aos poucos matava o que me restava enfim.

Parecia um sentimento inacabado, algo que já me fazia acostumado. Meus domingos, em minha cama deitado, apenas me faziam refletir sobre a vida a qual estava destinado.

Mas algo aconteceu naquele domingo tão diferente, tão empolgante. De longe, eu avistava uma bela dama com olhar distante. E com um brilho de esperança, meu coração confiante,  que seria o seu destino, a partir daquele instante.

Tímido e um pouco inseguro, admirei sua beleza até me dar conta de um olhar correspondido e penetrante. Um pouco vermelho, disfarcei com receio, algo nada preocupante. Segurando meus dedos, voamos sem medo por um desconhecido destino vibrante.

E, desde então florescia, o sentimento mais puro, mais belo, mais vívido, com tanta maestria. Tão próximo do meu amor, discreto e ofegante, a minha alma tão triste a sua invadia. Eu não imaginava, mas enfim acreditava: “Sem você nada seria”. O que era esse calafrio que, então, eu sentia?

Foi com você que vi tudo isso acontecer. Da mais triste solidão, eu vi o amor nascer, quando encontrei você. Foi do meu coração que essa rima se fez transcrever. Olho em seus olhos e te pergunto, com minhas mais sinceras palavras: “Pra sempre juntos, iremos viver?”

Quando eu era garoto, um vazio sentimento de nome solidão se apossou de mim. Com o passar do tempo pude perceber que o que me faltava era seu coração para nele por um fim.

If the World Didn’t Suck (We Would All Fall Off)

Quando eu tinha apenas dois anos,  meu pai, segurando-me em seus braços, olhou-me nos olhos e disse: “Você é capaz de dar seus próprios passos”. Pôs-me no chão e a cena seguinte consistia em um lento caminhar de uma pequena criança numa pequena sala. Quando eu cresci, segurando minha mão, ele me disse: “Não pare até encontrar seu próprio caminho”. Soltou-me e a próxima cena era de uma pequena criança, num corpo de um adulto, caminhando por uma grande sala conhecida como mundo.

E assim minhas primeiras pegadas faziam marcas por longos trilhos percorridos com uma grande interrogação pairada sobre minha cabeça. “Afinal, o que significavam suas doces palavras?”

Com minha mochila nas costas e pouca bagagem, viajei por histórias diversas. Fiz escolhas boas e más. Em algumas estradas, podia relaxar, descansar, tomar um pouco de sol e me banhar em águas claras, sentindo o frescor do vento da colina. Em outros, espinhos, subidas íngremes, buracos, cobras. Outros, não havia nada, simplesmente.

Algumas vezes me perdi. Curvas e bifurcações me confundiam e me intimidavam.Entretanto, fiz-me amadurecer e refletir a cada novo passo. Um pequeno tijolo chamado aprendizado que aos poucos iam levantando um grande castelo chamado sabedoria.

Durante minha jornada, sentava-me à sombra fresca de meus pensamentos e escrevia uma nova poesia. Novos forasteiros se ofereciam para caminhar ao meu lado. Outros, mais pretensiosos, guiavam-me por um caminho próprio. Era minha decisão segui-los ou não. Convenciam a mim sobre o que deveria ou não fazer. Aos poucos me moldavam.

Quando me apaixonei, o amor me levou a uma bela ilha e por um tempo pude apreciar uma nova paisagem. Pomares, represas, tigres e alpinistas, deram lugar a peixes, areia, palmeiras e água salgada. Um novo sabor a ser degustado.

Foi uma breve distração que, por algum tempo, me fez crer que ali se escrevia mais um final feliz. Não era verdade. Quando me dei conta, olhei para os lados e me vi solitário naquele paradisíaco lugar. Não deveria eu ter finalmente encontrado meu caminho?

Ao regressar, um novo impasse: alguns viajantes já não estavam mais ali e algumas de minhas poesias transformaram-se em pó logo soprados pelo vento. Aquela ‘pedra no meio do caminho’, me fizera tropeçar.

Então, pude perceber algo: minha história não terminaria assim. Caminhando por novas estradas, outros viajantes me encontravam e escreviam novas poesias em meu diário. Então, pela primeira vez, senti a liberdade tomar conta de mim. Eu mesmo era capaz de guiar outros tantos viajantes e escutar tão semelhantes histórias vividas.

Por tanto tempo, não percebi que aquele já era meu caminho. Não importava o quanto havia vivido, sempre outros trilhos surgiam e as más escolhas por vezes se repetiam, tais quais as boas, impedientes de desmotivação. Nestas, encontravam-se meu apoio.

Pare um pouco e me ouça com atenção. Se sua mente não tiver ciência de que estamos num ciclo em que apenas alguns personagens e meras características são capaz de sofrer suas generosas alterações, talvez você não compreenda que, enquanto aprendemos a dar nossos passos, já somos escritores de nossos livros, sem direito a apagadores ou borrachas. Somos o que somos para valer, não meros expectadores.

Por isso, é hora de fazer valer. Tenha os pés no chão. Tudo bem se a mente flutuar de vez em quando, é normal, mas lembre-se: você é o personagem principal. Não é hora de se caracterizar tal papel com tamanho afinco?

Ao finalmente retornar a meu lar, coloquei minha mochila sobre minha cama e a esvaziei, admirando cada item retirado. Encontrei poesias, canções, sonhos, odores, sabores, marcas, sujeira, lágrimas, sorrisos, olhares, lembranças, flores, roupas, brigas, amizades, amores, mistérios, verdades, mentiras, sins, nãos, talvez. Encontrei enredo. Encontrei desfecho.

Quando eu tinha apenas dois anos,  meu pai, segurando-me em seus braços, olhou-me nos olhos e disse: “Você é capaz de dar seus próprios passos”.

Nossa Dança

No meio de um palco, os holofotes nos apontam. Estamos envolvidos numa dança muito apaixonante. Eu olho para seus lindos olhos castanhos e os vejo brilharem pelo meu coração. Seu rosto em minhas mãos, seu corpo próximo ao meu. 

Como você conseguiu estar mais linda do que normalmente é? Sinto seu aroma tão suave, capaz de estimular meus sentidos. A mulher que eu mais amo, não é perfeita, mas me faz completo e é disso que preciso.

Amor, há tanto tempo estamos juntos. Meus sentimentos de amor sincero e verdadeiro crescem a cada dia. Seu sorriso cativante me enche de felicidade. Seus lábios, tão doces, capazes de me provocar num beijo demorado.

Todos assistem à nossa dança, mas para mim somos apenas você e eu. Os holofotes não são nada, quando posso sentir seu coração iluminando o meu. Aproximo nossos corpos para senti-los tão suavemente e assim quero ficar até o fim de nossas noites.

“E se algum dia eu ficar velha? Se eu não puder ser capaz de caminhar sozinha, se minha memória falhar e meu cabelo não parar de cair?”, você me pergunta insegura. Carinho, minhas promessas não são suficientemente claras? Não é seu corpo, mas a sua alma pertence a minha. Juntas flutuam de mãos dadas pela eternidade. Segurarei sua mão para que minha presença se faça eterna. Um sorriso seu todos os dias é meu objetivo e o motivo de me fazer levantar todas as manhãs tão disposto.

Então, meu amor, me abrace agora. Deite-se sobre meu peito, enquanto te faço um carinho e bagunço seu cabelo. Beije-me sob a luz do luar. Faça minha cabeça flutuar e meu coração mais forte palpitar. Nosso amor era a chama que me faltava aqui dentro.

Foto de Polina Tankilevitch no Pexels

Correntes Invisíveis

O mundo ao nosso redor está se desmoronando. Vejo o chão empoçado de sangue. O sangue jorrado por tantas mentiras e injustiças que dominam todas essas pessoas que me cercam. 

Tento me manter forte, mas é psicologicamente impossível. Quase isso. Ataques em demasia provindos de lugares que menos espero querem me ver cair e implorar para que eu seja como eles. Eu me recuso todos os dias. 

Conheço-me bem. Viver todos os dias sob essa pele não é fácil. Minha insegurança me aterroriza, mas aprendo a vencê-la dia após dia para que nada possa me derrubar. 

Percebeu como sou? Sou como você, com medo de viver após cada manhã. Às vezes sinto meu coração quase parar de bater, mas deixo a emoção fugir e a razão fala mais alto. Não permitirei que me tirem a única coisa que tenho. Dignidade. 

Olhe agora nos meus olhos. Você me diz que quer morrer, pois esse seu mundo em que você se trancou está cada dia mais fraco. As trincas já se enferrujaram e a madeira já está toda corroída por esses cupins que nos enchem a cabeça de seus próprios fatos. “Você tem que ser como nós”, é como eles te falam, não é? Eu te entendo. 

Venha comigo, eu não permitirei que nossa morte venha tão prematuramente. Lutaremos juntos para encontrar nosso caminho e eles que se ferrem. Não nos subordinaremos, nem permitiremos que a tristeza nos visite. 

Quebre essas correntes invisíveis envoltas em suas pernas. Se não for capaz, eu até te dou uma mãozinha, mas sua ajuda é essencial.  Pare de se lamentar pelas coisas que você não consegue e pensar que pôr fim nisso tudo é a solução. Eu estou aqui, não estou? Sou a prova de que nós temos um espaço por aqui e invadiremos aqueles há quais ainda não pertencemos. 

Não temos que nos assemelhar a nenhum rótulo. Se somos tão parecidos, melhor caminharmos juntos, não? Portanto, vamos à luta. Não desista de mim. Luto a fim de aumentar minha força, mas se estivermos juntos, esse poder que carregamos se multiplica. 

Então, venha! É hora de recuperarmos nossas vidas e encontrarmos tantos outros que sofrem pelo caminho. Venha! Chegou nossa hora de vencer. 

Image by Comfreak from Pixabay

Tempo que vale a pena

Um dia, um grande sábio me contou um segredo sobre o tempo: “Ele não volta”. Parece meio óbvio, não é? Apenas em teoria. 

Pare tudo o que estiver fazendo e pense por um instante. O tempo é um diamante precioso, você precisa saber usá-lo bem. Não deve desperdiçá-lo. Certo? Então, por que perdemos tempo, o tempo todo? 

Veja, por exemplo, num relacionamento de seis anos que se findou há pouco. Num belo dia, você está com alguém e lhe proporciona momentos inesquecíveis. Não tem o mesmo retorno. O que você faz? Releva, certo? Pois é. Acreditando ser um relacionamento eterno, você se despreocupa de coisas pequenas para fazê-lo durar. 

E o que é essa coisa tão pequena? O tempo. Sim! Chegamos ao ponto: o tempo é o que mais se desperdiça. 

Quando o relacionamento, antes perfeito, se acaba, qual a primeira coisa que você pensa? “Poxa, fiz tudo por ela e ela não zelou de mim por um momento. Perdi meu tempo!”. O que você fez? Sim! Apagou todas as boas lembranças por conta de um término ou pela razão dele. 

Você pensa que botou toda a confiança em uma pessoa e, com uma simples má ação, esse sentimento se vai por água abaixo. A culpa cria uma crosta por sua pele, sujando-o e fazendo você sentir nojo de si mesmo. “Foi perda de tempo esse tempo em que estivemos juntos”. 

E como agimos depois disso? Como nos confortamos por termos perdido tão valioso tempo quando poderíamos ter feito outras coisas? Perdemos mais tempo. Como? Trazendo de volta pela janela tudo o que havíamos jogado fora. Lembranças ruins vem à tona e sentimentos amargos tornam a nos visitar. E por quê? Vale a pena perder mais tempo com quem já perdemos tanto? 

Não pense apenas pelo lado de relacionamentos amorosos, mas nas amizades, nos trabalhos que você teve que pouco lhe valeram. Pense naquele curso que você não gostava e fez só para agradar a alguém. Liste tudo que foi ruim em sua vida, mas liste-as e as jogue fora. Pare de perder tempo com todas elas. Você já não perdeu o suficiente? 

Ponha sua confiança no que quiser. Arrependa-se, brigue, xingue, esbraveje. Faça um espetáculo com seus sentimentos, seja você mesmo, sim! E perca mais tempo. Mas, se for agir de tal modo, tire um aprendizado para sua vida. 

Fazemos várias escolhas ruins, jogamos muito tempo no lixo. Como não podemos recuperá-lo, tire disso uma experiência para que menos tempo seja desperdiçado. A vida é uma só, portanto, trate-a com carinho. 

Perca seu tempo, mas troque-o por experiência e faça valer a pena. 

O Tímido

Sempre assim…
Tímido, quieto, bobo
Sempre na dele
Tão timidamente se esconde
De quem o quer tão bem.

Sempre a mesma história:
É pessimista, triste
E até tem um pouco de depressão.
Solidão?
Sua melhor companhia.

Enfrentar o mundo, é preciso
Mas enfrentar a si mesmo
É essencial
É seu próprio inimigo
E, na melhor das hipóteses, o seu melhor amigo.

Solitário, triste, bobo, tímido
Que seja, mas por dentro
Nós sabemos que é o dono do sorriso mais sincero
Da amizade mais confiável
Do segredo melhor guardado.

Portanto, tímido, não fique chateado!
Se parecer perdido, se o destino lhe parecer amargo.
Você sabe que sempre tem alguém
Que te quer bem
Que é tímido também
E desejaria lhe dar um abraço.

Vida Vazia

Alguém bate à porta do meu coração. Era a solidão. Agora ela é minha companhia.

Ela tomou aquele lugar que antes pertencia a você. De repente, você se foi e não me deu explicações. Tudo perdeu o sentido.

Meus amigos percebem que não tenho mais o brilho no meu olhar. Às vezes tentam me animar, contam alguma piada, algum caso engraçado, mas eu não estou ali. Dou um breve sorriso, mas o que quero mesmo é chorar. Meu pensamento está longe, buscando te encontrar, mas não dá, pois tudo perdeu o sentido.

Lá fora, tudo normal, mas aqui dentro, não há mais chão. Esse quarto está tão frio e a solidão, que dorme agarrada a mim faz tudo ficar mais gelado. Tudo tão escuro que nem a lua lá fora é capaz de iluminar a escuridão que invade meu ser.

Parece que estou nas últimas. A cada dia são 24 horas de sofrimento. Choro todas as noites, choro durante o dia. Ninguém me liga mais, me sinto abandonado. Por que você se foi e levou todo o meu sentido de viver? Volte e traga-me novamente a alegria.

Tô tentando fugir dessa vida, eu sei que preciso, mas não dá. Chove dentro de mim e eu não posso suportar. Não durmo, não como, não quero sair de casa. Quero apenas continuar abraçado à minha solidão e nada mais.

Tudo perdeu o sentido.

Tudo posso

Acredito no meu potencial. Acredite no seu também.

Já te falaram alguma vez que nada se conquista tão fácil e você acreditou nisso? Já se sentiu mal por que tantas pessoas conseguiram obras tão grandiosas, enquanto você se esconde nas sombras do próprio fracasso? Alguma coisa precisa mudar, certo?

Ok, vamos lá. Qual seu maior sonho? O maior mesmo, conte-me. Ele é impossível? Será que é mesmo. Primeiro, vamos pensar. Alguém já o realizou? Sim? Então por que você não pode. Não? Será que não é hora de você tentar ser o primeiro?

Acreditar. A primeira palavra-chave. Desistir? Risque essa. O sucesso não será sempre garantido, mas lutar é essencial. Peça ajuda quando precisar, olhe o mundo de uma forma diferente que você conseguirá. Está difícil? Então dê valor, pois quando você conseguir, poderá bater a mão no peito e dizer em alto bom som: “Eu pude, eu consegui, eu lutei, eu sou um vitorioso”.

Vamos tentar de novo: o que mais te fortalece? A família? Os amigos? Deus? Não pense em quem te faz mal, pense em quem te quer bem, quem quer te ver no topo da escada. E se ninguém quiser? Há uma luz dentro de você que o faz acreditar. Alguém, dentro do seu ser, acredita em você. Ponha-o para fora, conte-lhe seu segredo e vá.

Insista, persista, tenha fé, espere. Expectativas te frustram? Tudo bem, é normal. Mas se você se deixar abater por tudo que não dá certo, é certo que nada continuará a dar certo. Tente fazer o que você gosta e tire aquele sentimento de vitória disso, sei que você é capaz, eu já te vi brilhar uma vez e sei que verei novamente.

Portanto, acredite em você. Eu acredito em mim.

E então? Qual o seu sonho?

Foto de Matheus Bertelli no Pexels

O mal do poeta

De todos os males profundo
Vivo aquele que me faz sentir melhor
Pois crio um vasto mundo
Em que me faço maior.

De todos os lugares do mundo
Nado em mares tão rasos e tão profundos
Pois em meus próprios pensamentos
Sou capaz de criar meu mundo.

De tantas belas criaturas
Personagens, histórias e magias faço vida
Com palavras de um distinto adulto
Mas pelos olhos de uma criança ainda não crescida.

Deste mundo que crio ao me sentar
Deste mundo que de mim não só faz imaginar
De todo um mundo que dou asas a voar

Sou rei, sou plebeu, sou príncipe, sou Romeu.
Sou bicho, sou gente, sou árvore, sou mente.
Sou tudo, sou eu.

O mal do poeta é ter um mundo
Um mundo só seu
Um mundo que não existe
Mas um mundo que lhe pertenceu.

Bartender

Oito horas da noite e eu ainda estou em casa, deitada, pensando no quão triste a vida é. Estou em calmos prantos, onde a lágrima escorre timidamente por meu rosto.

O telefone não para de tocar. Minhas amigas. Por um bom tempo, tentam me tirar dessa fossa. Meu sofrimento tem nome e sobrenome. Agora estou deitada, preenchendo de bad feelings aquelas lacunas de um pensamento à beira da depressão.

  • Hey, garota! Levante-se! – Atendi o telefone, enfim.

Era Hillary, a amiga que eu mais odiava e a que eu mais amava. Presente em cada momento meu. Conhece todos os meus segredos e briga comigo por tudo, mas nunca me deixa na mão, mesmo que ela saiba o quanto esbravejo quando sou obrigada por ela a fazer certas coisas, como essa.

  • Saia agora dessa cama, sua vaca! Arrume-se e venha ao Night Club. As garotas e eu estamos te esperando em duas horas. Não me faça ir até aí e arrastar esse seu cabelo oxigenado pelas ruas movimentadas de São Paulo. E nem me venha com desculpas.

Ela sabia que eu a odiaria nos próximos anos, mas levantei-me da cama, troquei aquele velho pijama rasgado, pus aquela maquiagem discreta, tomei um bom banho daquele perfume importado que ela me dera em meu último aniversário, fiz uma demorada escova e dei uma última olhada no espelho. Parecia outra pessoa. Aquela imagem vista em seu reflexo era deslumbrante. Estava na hora de matar meus leões.

Quinze para meia-noite. Entro no bar. Todas as garotas estavam ali, radiantes por me verem. E como estavam lindas. E eu não fiquei para trás, estava tão deslumbrante quanto elas. Éramos as musas daquela noite. Todos os olhares se direcionavam a nós.

  • Nesta noite, algumas tarefas lhe foram destinadas: esqueça-se do nome de seu sofrimento, dê um beijo de adeus no seu passado e divirta-se como nunca.
  • E aí, meninas? Prontas para curtir?

O quinteto estava pronto para detonar.

Hey, bartender. Traga uma dose dupla de whisky. Veja todas essas garotas. Estamos aqui para dominar a pista, portanto sem essa de nos limitar. Não temos hora para terminar.

Duas, cinco, oito, doze. Já perdi a conta de quantas doses já foram tragadas. A pista está bombando e a música, envolvente. Estou me divertindo com minhas amigas. Está tudo perfeito. Que essa noite nunca termine.

O DJ acertou em suas escolhas. A pick-up ferve como um vulcão. Meu canto se expulsa de tal forma que todos podem ouvir. Tenho toda aquela noite há muito tão desejada por mim e me sinto tão bem por isso.

Lágrimas? Não mais! Foram todas transformadas em suor. Danço, pulo, canto, beijo. A pista é meu novo amor e serei sua até o amanhecer. A luz me toca e faz transparecer toda minha feminilidade. Estou me saindo bem? Mal? A quem importa? A alegria me dominou e por toda a noite, se fará presente. Por essa, pela próxima e por todas as outras, o espaço será destinado a ela.

Poderia estar em minha cama chorando, mas decidi estar aqui. Não há escolha melhor. Agora, dê-me sua licença, que a pista me chama para um abraço e de lá não sairei tão cedo. Nem eu, nem minhas amigas. Essa é a nossa noite. A noite das garotas solteiras, porém nunca solitárias.

Hey, bartender. Traga mais uma dose dupla de whisky.

Todo nerd merece um cantinho para chamá-lo de seu

Habitación Virtual

Todo nerd necesita una habitación para llamarla de suya