Los de las casas rodantes

Me desplacé por un camino dando saltos, esquivando charcos y barro para llegar a una carpa gigante que veía a la distancia de aspecto cutre e irrelevante con trailers rodantes, cercos con pinturas incolora, tela desteñidas y cutres lonas.

Al llegar a la entrada, esto se difería al contemplar rostros que, al verlos, hacían agradable y cómoda la estadía en ese lugar. Con una sonrisa fuimos recibidos- al abrir las cortinas, recordé mi niñez cuando mi mamá me llevaba al circo.

En sillas empolvadas, observé a un público menor a 20 personas, escasos niños contentos que reían al ver a los payasos. En frente del espetáculo, estaban sentados tranquilos y observadores unos niños que transmitían apoyo a sus familiares, los cuales hacían reír al resto del poco público, pues eran los hijos y sobrinos de las ocultas personas maravillosas que en ese circo se encontraban haciendo el espetáculo.

Detallé cada elemento de esa gran carpa, agujeros que desde el punto donde estaba sentado se podían ver el cielo y las estrellas, un nudo atado a mi garganta no me permitió contener mis lágrimas. Mi amiga y yo salimos de ese sítio, hablamos con la dueña del circo la cual se encontraba preparando un dulce algodón de azúcar en uno de los trailers. Mi amiga le hice unas preguntas referentes al circo. La escuché responder:

– Hoy es que medio hay personas, los otros días asisten no más a 4 ó 6 personas, la lluvia no nos ha permitido y la gente muy poco asiste al circo.

Luego escuché al hijo mayor de la señora decir:

– Lo ppoco que hacemos es para comer, vivimos en estas casas rodantes. Nunca hemos tenido una casa de bloque y cemento, pero sí tenemos un hogar a la mona también tenemos que alimentarla de nuestra comida, hacemos colas al igual que cualquier venezolano. Lamentablemente, lo que hacemos no nos alcanza para comprarle a los bachaqueros (revendedores de comida escasa).

A la distancia, vi a un niño de dos años de edad, lo llamé, lo cargué y le pedí un abrazo. Se me salió una lágrima y vi una luz perpetua que me hizo encontrar con mi niño interno. Haber asistido a ese circo y ser recibido de una grata forma ha sido una excelente forma de encontrarme una vez más con Dios, mi amigo Dios.

Conto de Luis Mendez

Não me machuca mais

Quando começamos a analisar uma situação por outra perspectiva, passamos a nos tornar mais racionais. Nossos olhos se abrem e, antes que o coração interfira, entendemos como uma relação passada teve bons e maus momentos e que durou o tempo certo. Saber que tudo tem seu fim é aceitar de forma madura que somos capazes de sentir, de nos impormos limites e de dizer, de cabeça erguida, que nem tudo foi feito para nós. E, assim, podemos seguir em frente e abraçar com afinco a nossa próxima jornada.

Olá, você se lembra de mim? Já faz algum tempo que nosso amor terminou. Claro que chorei, gritei, senti saudades e odiei seu nome. Por fim, os sentimentos se perderam. Voltei a viver. Acredito que tenha acontecido o mesmo com você.

Há algumas semanas, brincando com minhas memórias, lembrei-me de nossa história. Não, não estou pedindo um retorno, mas acho engraçado – e estranho também – de quando dizíamos que era tudo tão perfeito entre nós, quando prometíamos a eternidade ao outro, quando, com a voz manhosa, declamávamos o amor recíproco de outrora.

E aí, sem qualquer preparo, o destino rumou, distintos, nossos caminhos. O “nós” tornou-se o “eu e você”, distantes. Nossos corações não mais palpitavam em sincronia. Estranhos aos olhos do outro, partimos. Por um tempo, doeu. Depois, a solidão, apeteceu.

Embora nunca haja um porquê – ou assim o preferimos – tudo se acabou. Passamos a procurar novamente a nossa felicidade, pois ali já não mais cabia. Agora somos apenas história, de outras pessoas em outros lugares, de novos trilhos.

Eu só queria dizer a você uma última coisa. Lembrar-lhe como foi incrível estar ao seu lado. O que aprendi é algo que levarei pela vida. Eu aprendi a ouvir e respeitar você pelo tempo bom que tivemos. Os ruins se esvairão como a poeira, que não faço questão de carregar nem sob a sola dos meus sapatos.

Agora, finalmente posso partir, deixando para trás todos os meus rastros. A vida continua, independente de quem esteja comigo. A alma às vezes nos suplica que abandonemos aquilo que ela guardou tão profundamente, por isso dói tanto arrancá-lo dali. Mas, como as feridas, a alma se cicatriza e se permite pronta para a próxima. E a minha está.

Findo aqui, nesta carta, mais uma página, que o vento haverá de soprar.

Volta, por favor

Vejo teus olhos brilhando ao se encontrem com os meus, tão distantes, separados por uma tela de LED e por tantos quilômetros.

Toco meus lábios com meus dedos e fecho meus olhos. Ainda sinto o frescor dos teus. Como num espelho, tocamos a tela. Sinto o peito se agitar com esse teu calor.

A tela se escurece. A cama, espaçosa e solitária, repousa sob a luz fria do luar. O sono intranquilo me faz vagar pelas sombras de um sentimento doce. Os olhos se fecham, mas continuo acordado. Os momentos juntos não me permitem te esquecer nem por um segundo.

É como se já fizesse muito tempo. O aeroporto era testemunha de nosso último abraço, onde nossas lágrimas não se contiveram. Com um beijo, selamos nossa declaração de amor. Então, partiste, arrancando um bom pedaço de mim. E eu fiquei parado, observando, tentando entender a situação. Por quanto tempo?

Agora, deitado, olho pro teto. Não quero dormir, não sem que estejas aqui. Preciso de teu carinho e alento ou outro motivo para sorrir. E parecendo ler meu pensamento, sinto o celular vibrar, fazendo meu último desejo se realizar, quando um texto a declarar: “Quero você aqui”, me faz, ainda mais por você, me apaixonar.

Volta, por favor. A saudade precisa do teu remédio.

Por um instante, travei

É difícil suportar uma dor quando não se entende ao certo o que estamos sentindo. Entretanto, algo me diz que tenho uma leve ideia quanto a isso.

Abro meus olhos e me vejo numa pista de corrida. Meus adversários correm, me ultrapassam e focam em seus objetivos. Tento sair do lugar, mas minhas pernas estão completamente travadas. Avançar ou retroceder não é agora uma opção. Todos os meus pensamentos pairam sobre mim.

Ouço vozes ao fundo. Não, eles não estão zombando, estão gritando em meu favor. Desejam minha inalcançável vitória. Sim, sei que em algum lugar dentro de mim há uma voz acreditando em minha capacidade, mas eu, sinceramente, não consigo. O pavor e a aflição dominam meu ser e põem em xeque minhas estruturas.

Parece-me inútil continuar ali. Talvez a competição não fosse a verdadeira questão dos meus problemas. Entenda, por favor. Permita-me desabafar sobre meus lamúrios. Meus sentimentos precisam sair de mim. Eu não quero estar ali, eu não quero ser mais um nesse desafio. Aquilo não é pra mim!

Não, ninguém para. Todos querem vencer esta corrida. Somos incentivados a bater metas, a dar o nosso sangue, a devorar um leão por dia, mas ninguém de verdade se importa em perguntar se é ali que queremos estar.

“Todos passam por isso, todos precisam enfrentar, você acha que muitos não estiveram em seu lugar?” Sim, sei que não sou o primeiro, mas será que alguém pode parar por um minuto pra perceber o que tem acontecido de verdade?

Eu sei que sou capaz de muita coisa, mas, nesse momento, estou travado, parado, estagnado, refletindo se tudo isso realmente importa. Odeio pensar demais, pois fico tentando descobrir se vale a pena e, ao fim, sinto que continuo ali, no mesmo lugar, naquela pista, onde não sei avanço ou retrocedo.

Amor não-correspondido machuca

− Cara, aquele dia foi hilário! Pensei que você tivesse quebrado o braço quando caiu daquela ponte.

− Também, o Matheus não parou quieto! Parece que não sabe beber.

− Amadores, Amandinha! Sabe como é!

− Sinto dor só de pensar nisso.

Todos riram. A noite estava ótima entre meus amigos. Relembrávamos certa vez em que estávamos num parque, tirando foto e bebendo, além de fazer certas “macacadas” no playground, nas árvores e até na ponte, onde eu tomara um belo tombo que me fizera parar no hospital. Nunca bebera tanto!

De repente, sinto meu celular vibrar no bolso. Logo perceberam minha expressão séria. Era uma mensagem curta do meu melhor amigo que dizia apenas “volta pra casa”.

− Qual foi, babaca?

− Vinícius. Tem alguma coisa errada.

− O que ele tem? – perguntou Amanda, a única agora preocupada no grupo.

− Ele não disse. Deve ter acontecido algo.

− Ah, bobagem, cara! Seu maridão só está com ciúmes de você estar aqui! – dizia Renato, em certo tom de brincadeira.

− Renato, se você não tem nada sério a dizer, fica calado. Ele não mandaria uma mensagem dessas pra mim à toa.

− Ih! Olha lá, ficou nervosinho.

− Renato, fica quieto! – gritava Amanda.

− Tudo bem se eu te levar? Você bebeu muito e parece estar aflito – perguntou Fernando, preocupado.

− Tudo bem, eu vou com cuidado. Vejo vocês mais tarde!

− Se cuide! – Disseram em coro.

Cuidado. Chega a ser um pouco engraçado. O coração estava acelerado e o álcool corria em minhas veias. Poderia ser um perigo para qualquer transeunte dali. Normal era, de longe, tal situação. E eu sabia que ele não estava em casa, pois passaria a noite com a namorada. Então, qual seria o problema?

Estaciono em meu destino, mas não encontro a chave em meus bolsos. Com todo o meu desespero, celular, chaves, carteira e papeis caíram na grama. Abaixei-me de forma tão súbita que quase desmaiei ali mesmo. Minha visão ficara turva e minha cabeça começava a girar. Tentei me acalmar, contando até dez. Respirei profundamente repetidas vezes, segurei forte meus pertences e me levantei. Calmamente peguei minha chave e abri a porta. Joguei tudo que tinha numa mesa ali próximo. Eu precisava de água.

Então, caminhei próximo às paredes, acendi as luzes da cozinha e fui direto ao filtro de barro tomar uma água. Tomei devagar, respirei fundo e fechei meus olhos. Os sentidos já estavam quase todos em seu lugar. O silêncio do lugar então foi interrompido por uma espécie de choro. Ali, debruçado na mesa, segurando um copo vazio e próximo a uma garrafa de vodka pela metade, estava meu amigo.

Aproximei-me devagar. Sentei-me em uma cadeira de frente à dele, peguei o copo de sua mão e a segurei, forte. Devagar, ele levantava sua cabeça. Seu rosto estava inchado, coberto de lágrimas. Preocupado, eu me segurava para não demonstrar mais aflição do que já sentia. Ele não parava de chorar.

− Tudo bem cara, já estou aqui.

Por alguns instantes, ficamos ali olhando para o outro. O silêncio o reconfortava. Seu choramingo ia se desfazendo aos poucos. Quando ele estava mais calmo, comecei a lhe perguntar em um tom brando.

− Você chegou assim que me mandou a mensagem?

Ele acenou positivamente com a cabeça.

− E você estava na casa da Melissa?

Ele acenou novamente.

− Tudo bem entre vocês?

Não houve resposta.

− Tudo bem?

Ele voltava a chorar. Enchi um copo de água e pedi que ele tomasse devagar. Entre um gole, uma lágrima e um soluço, ele ia contando.

− Você deve estar cansado de ouvir minhas reclamações sobre nosso namoro, Matheus…

− Me conta o que houve…

− Ela sempre joga na minha cara o cafajeste que fui no passado, ela fica me julgando pelo meu tempo de solteiro, que eu bebo demais, que eu sempre estive rodeado de mulheres, que sempre estive em balada, mas ela não entende que isso foi na minha época de solteiro.

Eu ouvia atentamente cada palavra aflita sua.

− Ela insinua que eu sou o mesmo de sempre, vive me enchendo de indiretas, não pode ver uma mulher bonita na rua que fala coisa do tipo “aposto que se eu não estivesse aqui, você estaria correndo pro rabo de saia dela”.

O tom de Vinícius era cada vez mais alto, mas eu não o interrompia.

− Matheus, ela não entende que o que eu sempre busquei foi um relacionamento sério, que aquilo foi uma fase em que eu não tinha ninguém, mas ela insiste em dizer que eu não presto. Se ela não teve bons relacionamentos passados, por que então eu que tenho que carregar essa cruz?

Posso nunca ter tido um relacionamento e todas as vezes que tentei algo com alguma garota foi frustrante, mas ver meu amigo daquele jeito me trazia tanta carga negativa que eu era capaz de sentir aquilo totalmente em mim.

− Todos os dias eu mando uma mensagem pra ela perguntando se está bem, todos os dias eu pergunto se ela quer sair comigo a noite. Todas as noites eu digo que a amo. Sabe quantas vezes ela já fez o mesmo por mim? Nenhuma! Eu não recebo um carinho sincero, se faço uma brincadeira, ela emburra. Matheus, até com meus amigos eu tenho deixado de sair. A maioria tem reclamado que me distanciei demais.

− Até de mim que moro na mesma casa. Às vezes sinto como se tivesse perdido meu irmão.

− Vê só, Matheus? Tenho feito muitos sacrifícios por ela e qual minha recompensa? Ouvir todos os dias que eu não presto, que sou a mesma figura do meu passado, que não mudei nada, que estou apenas brincando com o sentimento dela. Isso vai me perseguir pelo resto da vida!

− E você continua com ela porque é trouxa.

− Eu nunca a proíbo de sair com as amigas, já falei pra ela sair de casa pra ver se para com toda essa paranoia, mas ela só fica alimentando esse sentimento negativo dentro dela. Ela foi capaz de espiar até a rede social dos meus amigos pra saber com quem eu ando. Eu já disse que a levaria comigo, mas todas as vezes que ela vai, ela fica calada, não diz uma palavra e, ao chegar em casa, fica brava comigo, fala que não quer sair mais porque diz que não dou atenção a ela.

− E você faz isso?

− Claro que não! Os amigos ainda ajudam a enturmá-la, mas ela fecha a cara e “finge que eu não estou aqui”.

− Por que você não larga dela então?

Silêncio.

− Não me diga que você se apaixonou profundamente por ela.

A resposta novamente veio como aceno.

− Vinícius, mas não tem nem três meses e ela nunca te disse que te amava.

− Eu sou do tipo que entro de cabeça num relacionamento e você sabe disso, mesmo que a outra pessoa não corresponda.

Dessa vez, quem não tinha resposta era eu. Algo em meu íntimo já dizia que aquele relacionamento não iria para frente, devido às reclamações que ele às vezes me fazia, mas o que eu poderia fazer se ele não me escutava por estar cego?

− Tome um banho e descanse um pouco. Amanhã continuaremos a conversa.

Talvez tenham sido o cansaço e a bebida o fizera hibernar rápido. Não posso dizer o mesmo de mim. A preocupação com meu melhor amigo me dominava. Não poderia permitir nada daquilo.

Amanheceu, mas preferiria que não. Por sorte, era domingo. Na TV, um gato perseguindo um rato distraía um pouco meu brother, sentando num sofá sujo de cereais, usando apenas sua bermuda de super-heróis favorita. Chegava a ser engraçado pra mim, aquele ser tão maduro, cheio de conselhos e experiências de vida, demonstrar seu lado infantil de forma tão desprendida. Não, ele não se importava.

− Bom dia!

− Bom dia!

− Podemos conversar?

− Claro.

Sentei-me na mesinha de centro para poder ficar de frente a ele. Tirei a tigela de suas mãos e comecei a conversa já em tom sério.

− Sempre que tenho algum problema, você me diz que devo erguei minha cabeça e seguir em frente. Eu começo a reclamar e reclamar e reclamar e a única coisa que você me diz é “abra um sorriso e enfrente”. Você me conta sobre situações que você já viveu e isso acaba por me acender uma chama. No final, tudo dá certo.

Ele respondeu com um sorriso.

− Entretanto, o cara que eu vi chorando sobre a mesa ontem está longe de ser o mesmo cara que me diz essas coisas. Eu vi alguém fraco que se deixou derrotar por um problema que poderia se resolver facilmente.

Ele prestava atenção em silêncio.

− Eu te conheço há muitos e muitos anos. Você praticamente me viu nascer. Sempre vi uma pessoa cativante, que carrega a felicidade para todos os lugares, que é sempre alto-astral, apesar de algumas vezes querer brigar com todo mundo, − rimos nessa parte − mas é sempre muito amigo e sempre quer o bem de todos. Você mesmo já me defendeu de inúmeras situações e até já comprou brigas por mim, alguma coisa que eu, com certeza, nunca irei me esquecer.

Vinícius apenas concordava com a cabeça.

− De uns tempos pra cá, depois que você começou a namorar essa moça, você tem se tornado outra pessoa. Fica no quarto trancado por um bom tempo e quando não sai, está sempre pelos cantos, calado e triste. Não sai mais com os amigos, mal fala comigo, mal fala com ninguém, não tem prestado muita atenção nas aulas da faculdade. Enfim, tem se distanciado cada dia mais. Das poucas vezes que fala, é pra reclamar do seu relacionamento. Exatamente as mesmas coisas que você reclamou pra mim ontem. Ou seja, um relacionamento que não evolui em nada.

Os olhos de Vinícius começavam a se encher de água.

− E não sou só eu que tenho observado isso. Alguns amigos nossos têm reclamado que você se distanciou tanto que uns até me perguntam se você chegou a mudar de cidade. Eu tenho notado seu bom-humor se despencar de uma forma que eu mesmo tenho me questionado se estou morando com o mesmo cara do ano passado.

Uma lágrima se desprendeu.

− Esse relacionamento está te prejudicando muito, está te sugando, está fazendo você ser quem você nunca foi. Eu não te reconheço mais, eu não sei nem dizer se ainda somos amigos. – Meu tom de voz se elevava − Caramba, cara, eu sei que você está muito apaixonado, mas você já parou pra pensar se é mesmo esse tipo de relacionamento que você busca pra passar o resto de sua vida? Você acha mesmo que algum dia ela vai virar pra você e dizer: “eu fui uma tola, eu deveria ter confiado em você”?

Vinícius já não conseguia olhar para meu rosto e sua respiração começava a ficar ofegante.

− Sinceramente, quem perde é ela pela pessoa maravilhosa que você é. Talvez, mas só talvez, ela se arrependa de não ter te dado valor, mas sabe-se lá quando isso vai acontecer. Até lá, a fé que você tem no amor poderá se desaparecer para sempre.

Dei uma pausa para que ele pudesse digerir minhas palavras com calma.

− Você reclama que ela não te dá amor, reclama que não recebe carinho, reclama que ela só reclama. Pelos céus, homem! Eu percebo que você já está todo machucado por dentro. Aonde você pretende chegar?

Comecei a chacoalhá-lo.

− Reaja, meu caro! Eu não quero ver mais nenhuma lágrima escorrendo por conta dela. Algumas pessoas não valem nem meias lágrimas e você aí desperdiçando as suas. Pense mais em você, seja mais egoísta, para de se preocupar com ela. Tenho certeza de que a hora que você disser que acabou e der as costas, rapidamente ela encontra outra pessoa e nem se lembrará mais do seu nome.

− Tem… toda… razão… – Ele suspirava.

Soltei-o. Levantei-me, pus a mão no rosto e levantei o dele. Fechei os olhos e falei calmamente:

− Você vai se aprontar, ir até a casa dela, dizer tudo o que está guardado aí e resolver de uma vez a situação de vocês. Não retorne com nenhuma incerteza. Saia, dê uma volta, esfrie a cabeça e volte. À noite, conversaremos.

Ven

Um quarto vazio, exceto por uma corda em forma de arco e um banquinho de madeira. É onde estou agora. As cortinas alvas transparentes balançadas pelo vento. Um dia ensolarado, folhas dançando lá fora, pássaros assoviando e um céu alaranjado com poucas nuvens. É um belo dia – lá fora.

Aqui dentro, um vazio – no quarto. Aqui dentro, um vazio – em mim. Conflitos e uma insegurança da própria natureza. Ódio, rancor, raiva, náusea. Tanto sentimento ruim dominando meu ser.

Antes, tentei esbravejar, bradar, mudar, mas quem deu ouvidos? Agora é um pouco tarde. Eu, simplesmente, desisti. De tudo. Tanta podridão que meu grito logo desaparece. Pra mim, já chega.

Já não me importa se o mundo é dividido em classes ou em orientações, em religiões ou partidos políticos. Já não me satisfazem os amigos que pensam em me tirar algum proveito e namoros que só desejam sugar meu dinheiro. Não sei mais fingir que está tudo bem.

Cada um olha apenas para si e não se importam mais em mudar. Ter defeitos passou a ser legal. “Eu sou assim e não tenho que mudar. Aceite-me como sou!”. Preocupam-se apenas com seus próprios ideais. “Ignore!”. Ignorar? Claro, vamos deixar tudo maravilhoso como sempre esteve.

Tenho meus problemas, mas ninguém de verdade se importou em ouvi-los. Não importam se algo me faz feliz ou triste. “Você tem que começar a…”, mas nunca me perguntam como realmente me sinto com tudo aquilo. Basta-lhes apenas ser útil em alguma coisa para eles, apenas ao seu bel-prazer.

Tenho nojo deste mundo. Tenho nojo de todos, tenho nojo de tudo, tenho nojo de mim mesmo. Estou tão infectado. Pareço-me tão sujo. Não sei mais quem sou. Aqui já me fizeram de posse e isso me horroriza, me martiriza: Pertencer-me ao mesmo lugar de meus pesadelos.

Ouço o som da harpa vindo de uma luz branca. Ela está me chamando. “Venha, segure minha mão e vamos partir, seu tempo se esgotou por aqui. Comigo, você voltará a sentir um ar de esperança.”

Agora querem me ajudar, mas é tarde. Não tente me segurar. Saia já de perto de mim, você mente! Sinto-me tão só, mesmo com tanta gente ao redor, tantos que jamais agregarão à minha vida.

Não há mais motivo para estar aqui. Nada mais me importa. E nem vá chorar por mim agora, pois já é tarde para isso. Seus conselhos já não me valem de nada. Basta de sofrimento.

Aproximo-me do banco, subo. Olho por um instante aquela corda, a visão turva e molhada. Sinto o líquido transparente e gelado descer por meu rosto, coração batendo acelerado e algo em volta do meu pescoço. Por apenas alguns instantes, o banco permanece de pé. Ouço a porta ranger ao abrir, o corpo de madeira daquele pequeno objeto bater no chão frio, o grito desesperado do meu silêncio e uma voz me chamando alto.

Através deste vidro

Há algum tempo que te observo através deste vidro. Parece uma eternidade teu sofrimento. Já se tem passado um bom tempo desde o início de tudo isso. 

Penso em te perguntar sobre teus pensamentos, mas as palavras não me saltam da boca, pois sabe que não existe uma resposta simples. Sentimento tão confuso, até mesmo para teu ser. 

A joia da confiança se quebrou e a esperança se esfumaçou. Olhos lacrimejando por um mundo que não existe, outro que não é teu. “O que faço por aqui?” 

Mundo vazio ao qual não pertences. Com todos aqueles manequins e aquele dinheiro que nunca terás. Busca compreender porque o mal prevalece por tantas coisas que jamais levaremos. Se aqui está, daqui não sairá. 

Tudo tão certo para eles. Crenças como alicerces, um álibi para julgar um irmão. Pensamento que se molda de tantas formas para destruir o que outro irmão também construiu. Um carro na mão, um pouco de álcool no sangue e sou capaz de matar mais um irmão. 

E eu tenho te observado por este vidro há algum tempo. Se todos são assim, por que te sentes tão deslocado? Um vínculo a este mundo te faz igual a todos estes. 

Teus olhos, frente a uma bela paisagem, apenas observam o que está dentro de si, contradizente. Por mais que você diga não, se sentirás culpado. Os dedos te apontam todo o tempo, “seu fraco”. O mundo todo está contaminado e não haverá vacinas “nem para ti. Não insista.” 

“Eu te protejo de tudo. Aqui não é tão ruim, portanto não te mantenhas em defensiva. Abre mão de teus princípios para poder viver bem. Não transformes em rocha teu pensamento tão hostil. Somos bons, permite-nos uma só chance.” – e à insistência disfarçada de doces canções, acompanha-se o punhal. 

E daí se faz o conflito interno. Abrir mão de quem somos, usando máscaras e vivendo uma felicidade que apenas nos cobre impenetravelmente ou amargarmos num interior abraçados pela solidão incompreensível? Eu não saberia descrever esse sentimento distinto à realidade frente a meus olhos marejados e incuráveis pelo tempo. 

E tu apenas te sentas de costas para essa parede de vidro, esperando teu corpo parar de sangrar. Quanto tempo ainda há se de aguentar? Parece uma eternidade, mas há algum tempo que tenho me observado através deste vidro.

Foto de Download a pic Donate a buck! ^ no Pexels

Mulher, nosso encanto

Mãe, tia, avó, neta, filha, sogra, prima, esposa ou cunhada.
Engenheira, médica, advogada, arquiteta, professora, costureira, faxineira, contadora, gerente, lutadora, psicóloga, cantora, programadora ou dona de casa.
Arqueira, feiticeira, princesa, bruxa, leoa, vilã, inventora, treinadora, dominadora ou rainha de contos de fadas.

Como viver sem esse belo ser, delicada como uma pluma, perfumada como as rosas, alegres e cheias de vida?
Que, com paciência, tanto nos ensinou: a amar e acreditar, a sonhar, a sermos felizes com pequenas coisas, a chorar de saudade e a nos emocionar?

Quem sempre nos curou com amor, quando gritávamos de dor, ainda crianças e quem nos deu seu coração, quando o nosso já estava partido?

Mulher, obrigado a vocês que sempre estão ao nosso lado, nos cuidando e nos aconselhando. Vocês são luz em nosso caminho.

Parabéns a vocês por este dia, que comemora e homenageia a luta de vocês.

Unstoppable

Talvez força não seja qualidade predominante de alguém “forte”.

Em todo canto, pessoas cercando a cada movimento, no ensejo de obter aquele ar de segurança tão invejado.

Forte por fora, amedronto por minha figura sólida de postura rígida. Pedido transformado em ordem ao decréscimo de um semitom, uma leve pausa e um olhar de desprezo.

A obra se faz de um conjunto: o vestido longo, os incríveis 1,90. Pintura de mulher fatal desfilando sobre 15 centímetros de salto.

A pergunta se repete: “Como pode ser tão perfeito?”. Provoco. Admiração que faz tão bem. De admirados para meros lacaios. O bico fino pisa e esmaga até que a mão ceda o desejado. Poder, o maldito permitindo ter o que quero, quem quero e quando quero. Não há o que se negociar.

Asas negras de um demônio vistas apenas como as brancas de um anjo. O defeito que todos desejam ter. O espírito sanguinário que você já pensou em ter. A vilã aclamada e incontrolável.

O que ninguém sabe, guardo no mais profundo íntimo. O pior defeito, mas a melhor qualidade. Você vê meus óculos escuros, mas não a lágrima caindo ali dentro. Consciência de tudo estar errado. Culpa. Não, você não precisa vê-la escorrendo.

Aquela mulher fria carrega em si a menina solitária que você não conhece e nunca o fará. A menina que pede socorro com gritos muito bem abafados. A mesma menina, que nas noites mais frias e sombrias, chora para seu travesseiro. Corroída pelo Mal que não pode ser derrotado e que vem tomando conta de cada pedaço bom que ainda lhe resta.

E é esse mal que te inspira a sê-lo (e aos poucos toma conta de seu ser…).

Um Gesto Qualquer

Contrário ao velho ditado “Antes só que mal acompanhado”, ouço de minha prima que “a gente se acostuma a viver com a pessoa que está”.

Relacionamentos vazios, implantando a rotina, tornam-se normais. O que importa de verdade?

Conto-lhes o que a esta disse certa vez que, frustrada em meu ombro direito, pôs-se a reclamar por estar com alguém que pouco lhe despendia atenção.

Reflita comigo: Estou em um relacionamento agradável?

Olhe seu parceiro neste instante. Qual seu papel? Qual sua prioridade? Futebol, sexo e filmes de ação são as únicas coisas que lhe importam?

Solidão te impõe medo? Essa relação deveria te assustar mais. Quantas noites mais você pretende aguentar?

Você se queixa e sempre das mesmas coisas, todos os dias. Ele apenas “dá de ombros”. “Calma” e tudo volta ao normal. E assim, segue…

Você não o ama de verdade, você apenas se submete às suas vontades. Ele te dá carinho e o amor para conseguir o que quer. Quando não importa mais, você lhe abre um sorriso e lhe pede que estenda uma mão. Mendiga um gesto qualquer que ele ignora. Nada lhe importa mais. Talvez te procure amanhã para mais do mesmo.

Entenda sua situação e não se humilhe. O papel de um não pode ser apenas provisão. Respeito, cumplicidade, companheirismo. Ei, você sabe o significado dessas palavras?

Agora, me responda: É isso mesmo o que você quer para toda uma vida?

Questionário adolescente

Sempre tem um pra enviar correntes/orações/perguntas idiotas em grupo. Hoje recebi esta. Por isso, resolvi compartilhar com minhas belíssimas respostas.
Cuidado! O post a seguir tem traços de revolta:

1 – Amor ou Sexo?
R = Coxinha. Aquela que você ama e que jamais vai se importar se você começar a comer por cima ou por baixo.

2 – Cinema ou balada?
R = Netflix, com altas doses de série, por favor. Ou a dobradinha cama+livros.

3 – Álcool ou água?
R = Não, Naldo, ninguém aqui quer tomar vodka ou água de coco.

4 – Filme em casa ou no cinema?
R = Em qualquer lugar, desde que seja longe de você!

5 – Namoro ou amizade?
R = Definitivamente, hoje não, Faro.

6 – Halls ou Trident?
R = Mentos. Com coca. Enfiado no seu…

7 – Beleza ou conteúdo?
R = Você já viu como uma batata ruffles é bela, mas não tem conteúdo? Pois, então. Esse é você.

8 – Ficar ou namorar?
R = Ficar, bem longe de você.

9 – Namoraria comigo?
R = Claro! Ainda não viu o tanto que estou te dando mole?

10 – Coca ou fanta?
R = Pode ser Pepsi. Dolly pra você. Ou cotuba, porque você merece!

11 – Me beijaria no rosto ou na boca?
R = Quem te iludiu dizendo que te beijaria?

12 – Abraço ou aperto de mão?
R = Aceno de longe. E se achar ruim, viro o rosto.

13 – Se eu te mandar uma foto, quer como?
R = Sabe aquelas fotos que vêm com tarja? Pois é! Quero uma que cubra todo o seu rosto. E o resto.

14 – Cor da calsinha ou cueca?
R = CalSinha? Com S? Sério?

15 – O que você faria comigo?
R = Te jogaria do décimo primeiro andar.

16 – Pensando em quê?
R = Em porque estou fazendo este teste idiota. Eu devo ser mais ainda…

17 – Se fosse na sua casa, durmiria na onde?
R = Mais uma com o português atacado, mas vamos lá: Na casinha do cachorro. Eu não tenho um, mas compraria só por você.

18 – Na sua cama tem espaço pra mim?
R = Claro que tem, mas somos como matéria: nossos corpos jamais ocuparão o mesmo lugar (e nem qualquer distância abaixo de 100km).

Falta de paciência com a galera de hoje, viu…

Sarah Smiles

Um pequeno cigarro de palha em minha boca, quase a seu destino. Ela em seu cavalo a trotar (imagine uma tão bela mulher em seu vestido provocante). Eu, bota, calça, uma fivela e meu chapéu de cowboy. Puxo meu cavalo e vou.

Essa é Sarah. Ela me notou, deu um sorriso, mas insistia em seu trote. Por onde ela ia, eu seguia com minha montaria.

Com seu olhar, me provoca. Uma corrida a galope é tudo que ela me pede em seu sorriso. Retribuo com o meu. Seu quadrúpede aumenta a velocidade e me faz ter a mesma reação. “Oah! Pangaré, que essa donzela vai ser minha”.

Sarah é o tipo de mulher que quer os homens a seus pés. Todos a seus pés e ela aos de ninguém. Dona do própria destino e detentora do mais belo e provocante sorriso. Essa é Sarah, tão frágil quanto um coice de mula.

Eu, que me importava com minha própria vida, sentado na varanda de casa, esperando o céu cair, mudei o rumo da própria prosa, quando subitamente, apareceu. Meu destino está com ela, mesmo que ela ainda não saiba.

Sarah me desafia com o rastro de poeira e adentra num daqueles Saloons de faroeste. Todos sabem que ela gosta de dançar e beber mais que qualquer xerife destas terras sem lei.

Ela e suas amigas estão agora no balcão, dançando sem pudor. Amarrei meu velho amigo ao lado do dela e não pude deixar de notar todos aqueles pistoleiros hipnotizados por sua estonteante beleza. Todas eram maravilhosas, mas o sorriso de Sarah tinha um “Q” especial.

Sarah sabe provocar. Dá-nos uma piscadela, salta do balcão e me puxa para um beijo. Tudo tão rápido que só me dou conta quando, em meio a palhas, sou rodeado com tantos olhos masculinos de inveja. Ela já não está mais naquela taverna. E, obrigado a correr, para não ouvir o grito daquelas pistolas farejadoras de sangue.

Ah, Sarah! Continue a me provocar. Meu destino está com você. Algum dia seu sorriso estará preso a meu laço e estaremos de volta para casa no galope de um mesmo cavalo.

Miss you love

Poltrona M-17. Centro. Muitos à frente, tantos atrás. Poltrona solitária em uma fila dominada por jovens. A sala aqui fora, cheia. A sala aqui dentro, vazia. Uma gota na calça.

Na tela, um casal apaixonado, mas eu só vejo um cara no chão, chorando. Esse sou eu, aos pés de tantos apaixonados aqui. Eu deveria estar como eles, no entanto, brigo com a própria dor.

Um milionário me disse uma vez que é preciso saber ganhar o que se almeja ter. Não basta tê-lo. Ele me disse que perdeu toda a sua riqueza, pois não sabia como administrá-la. Era milionário pois tinha tanto dinheiro, mas nunca foi um de verdade, pois não soube mantê-lo por tanto tempo.

E assim fui eu, quando conquistei seu amor. Por um instante, por um sorriso tão maravilhoso e um coração tão bondoso, senti-me milionário. Mas nunca fui. Riqueza essa que jamais fora de posse minha.

Por um instante, mantive em mim o que nunca foi me pertenceu. Por algum tempo, você tentou ficar e me fazer entender que seu sentimento era puro e verdadeiro. O entendimento nunca me veio. Estar ao meu lado era o único motivo que acreditava bastar para havermos o “nós”. O “nós”  que nunca existiu.

Você me amava. Eu não te respeitava. Quem aguenta viver assim? Com certeza, você não! Tão singela partiu e me deixou. A princípio, pensei que fosse qualquer drama seu, mas você nunca mais voltou.

Em algum momento, sei que te fiz chorar. Agora choro, choro pois eu mesmo me fiz chorar. Sinto sua falta. Falta de ser aquele milionário, detentor da riqueza de seu amor.

Agora estou só, sentando nesta poltrona solitária, assistindo a um filme de amor, com um final feliz. Um que eu não tive e nem serei capaz de ter. Sou só eu e a dor. E uma gota tímida em minha calça jeans.

Alive Again

Um sapato no degrau, outro em terra firme. Um novo show a começar. Minhas pernas tremem. Meu estômago luta contra suas borboletas. A plateia em silêncio. É minha hora.

A última vez que estive aqui, tropecei e caí. Machucado por um forte tombo. Alguns preocupados, outros em meio a lágrimas – de risos. Não avistei mais nada, a não ser minhas mãos tapando meu rosto vermelho.

Foi um trauma. Com um pouco de medo, não quis regressar. Quase desisti. Em meio a prantos, pensei em partir. Seguir outros rumos. Abandonar quem eu era.

E então, uma luz brilhou em meu ser, pedindo-me uma nova chance. Aqueles olhos negros acompanhados de um sorriso, suplicando, com delicadeza, aquele meu velho ser. Suspirei e sorri. Indaguei: “quem sabe, desta vez?”

Chega a ser engraçado quando tentamos novamente, não é mesmo? Por sua causa, que me estendeu as mãos e me prometeu que tudo ficaria bem, resolvi reabrir meu coração. Agora escuto seu sussurro de que “tudo ficará bem”, pois ganhei sua companhia.

Seguro firme sua mão esquerda pertencente ao mesmo lado de nossos corações. Sinto a batida quando a toco. Sim, posso sentir novamente que estou vivo.

Uma dádiva sentir-me vivo novamente, por sua causa. Sinto a chama renascer em mim. Sei que tudo vai estar bem, que agora estarei bem e tudo ficará bem, pois você me faz sentir bem.

E isso é o que importa agora.

Up & Up

Dirigindo há algumas horas por esta estrada quente, onde o sol cobre nossas cabeças de forma tão escaldante, procurando pela água que nosso corpo exige e transpirando de tal forma que nossos rostos chegam a chover suor, dois corações partidos seguem viagem em busca de chuva.

O corpo já não aguenta toda essa pressão que o calor provoca. Estamos sendo guiados pelo carro, mas nem sabemos para onde esta estrada vai nos levar. Pode ser que o motor não aguente, pois o calor ataca sem piedade. Não há sinal de chuva, não há sinal de água. Não há um mapa ou guia. Somente dois amigos sem direção e um carro desgastado pelo tempo.

Por que machuca tanto? Por que esse sol tão forte? Será que não podemos ter um dia maravilhoso de chuva para despertar nossos ânimos? O corpo precisa de um tempo para se cicatrizar. Estar pronto para uma nova onda de mormaço. Só precisamos de um pouco de chuva.

Nem mesmo o canto dos pássaros se ouve mais. Talvez eles tenham se cansado de tentar. Perceberam que sua cantoria havia sido em vão. Não há mais motivos para a alegria. Dói. Dói. Preciso de chuva. Preciso de um pouco de água. Chego a me deitar sobre minhas pernas por desespero.

E quando essa dádiva inunda nosso locomotor, saímos um pouco para refrescar e costurar um pouco das feridas. A chuva é necessária, mas cruel, pois nos alimenta, nos sacia e se vai de repente. Quem não está acostumado sofre, pois tão pronto volta o sol e se adentra em nossas cicatrizes. Machuca. Somente quem já se expôs a ele entende minha dor.

Entenda que não é fácil, mas estamos juntos. Conseguiremos. Um pouco saciados e já podemos continuar. A trilha é longa, durará mais alguns anos e não dá pra desistir. Encarando nosso destino, o horizonte não se encontra perto, mas é nosso objetivo maior.

Se encontrar alguém pelo caminho, não feche sua mente. Use seu poder para que entenda, a quem quer que seja, que o sol pode ser nosso amigo e parar de nos queimar. Se refletirmos por uma fração de segundo, ele e a chuva podem se fazer em harmonia e nos dar um belo arco-íris. Nem só de vitórias que se vive. Cada aprendizado, uma nova conquista.

Pra cima é quem iremos mirar. Nosso “amigo” vermelho e laranja não poderá mais nos tocar. Os pássaros continuarão a cantar e as flores se desabrocharão. Para mim, para você, para todos nós. Não há motivos para sofrer. Não mais!

Dirigindo sob o sol escaldante, a procura de chuva para banharmos nossos corpos tão cicatrizados, pensamos em como nossos corações algum dia pode dar outra chance para o amor. A dor te faz querer dar um basta. Não pra mim. Não devemos desistir tão fácil dele. Acredite nele. Acredite no amor.

Por favor, nunca desista!

O fim do 25º ciclo

Lá vou eu, com mais alguns tropeços da vida.

Acabou. Já avisto a margem da minha próxima etapa. Uma missão que durará mais 366 dias. Hora de por em prática todos os aprendizados, não é mesmo?

Eu diria que esse foi um ano onde me mostrei escritor. Claro, não aqueles escritores profissionais, mas um que, timidamente, pude expor. Com pequenos contos e algumas poesias, fiz aquilo que sempre quis: externar meus sentimentos através das letras.

Descobri o poder na música: aquelas que me ajudaram a erguer a cabeça por todas os pontos negativos da minha vida: perdas ali, um pouquinho de depressão e a ansiedade que atacou meu coração. Vencidas? Talvez! Mas que não me incomodam tanto quanto antes. Chego a arriscar dizer que adormecem e assim ficarão.

Sei que de alguma forma pude ajudar alguns. Sei que também pude me ajudar. Viver não é fácil, todos sabem, mas lutar é essencial. É mérito desistir? E essa dor que às vezes nos preenchem? Talvez quando ajudamos a outrem, tornamo-nos pessoas melhores e nos ajudamos.

Ok, deixe-me contar um pouco desses meus dias. Surdos e sua banda. Herança de 2014, quando aprendi libras. Uma apresentação encantadora interpretada em libras, com instrumentos. Sim, uma banda de surdos que pude conhecer.

Infelizmente não participei de grandes eventos, mas pude conhecer o show de uma grande banda mineira: Jota Quest. Show esse que encerra meu ciclo.

Também vieram as coisas ruins: Perdi amigos, perdi família. Aqueles que jamais achei que fosse perder. Uma doença, uma lágrima. Dor no coração. A superação foi difícil.

Mas, do mesmo jeito que alguns se vão fácil, outros vêm fácil. Alguns amigos que entraram em minha vida para somar, para me ajudar, auxiliar. Agradeço. Deus sabe bem quem colocar em nossas vidas. É preciso perder alguns para perder outros, certo?

Surpreendi-me. Comecei a ler histórias que jamais imaginei ler algum dia (50 tons de cinza) e me apaixonei por outras (Jogos Vorazes). Virei tributo. Virei Nerdfighter.

E, por fim, dizer que mudei duas letras no meu currículo: o cara do TI virou o cara do RH. O cara, antes tímido, agora participa de eventos. Novos ventos, novos aprendizados.

É claro que houve tantas outras coisas, mas por enquanto me atenho a esse texto. O que aprendi, guardo no coração. O que vem depois é imaginação.

Agora lá vou eu, aprender mais neste próximo ciclo que chega. Tá na hora de agarrar as próximas oportunidades, não é?

Vamos em frente. E que a sorte esteja sempre ao nosso lado…

Cadê o din din?

Mas cadê o din din?
Não tá nos bolsos…

nem na carteira
nem na bolsa
nem na C/C
nem na C/P
nem na LCA
nem no RDC
nem em lugar nenhum do mundo!

nem debaixo do colchão
nem plantado no jardim
nem enterrado no quintal
nem na cueca daquela turminha
nem naquele famoso lava-jato.

nem nos distritos
nem nas facções
nem no banco gringotes
nem nas estrelas
nem no quarto de jogos do Grey
nem na vida, no universo e tudo mais

nem nas Galáxias
nem na terra dos Hobbits
nem na Estrada da Noite
nem nos teoremas por aí
nem nas cidades de papel
nem no Alasca
nem em Forks
nem na arena dos Jogos Vorazes

Cadê o dindin?
Não está em lugar algum.

Loucura escrita com Bianca, entre uma vitrine e outra.

See you again

Caramba! Quanto tempo já se passou, não é mesmo? Parece que meus dias têm se tornado mais longos ao decorrer do ano. É estranho voltar a essa vida, agora tão sem graça sem sua companhia.

Ainda me lembro de como nos conhecemos. Numa pequena loja, onde curtia um som, você surgiu com sua educação inconfundível. Também queria saber o que eu escutava e pediu algumas dicas. E aí, começamos a conversar e descobrimos tantos gostos em comum.

O tempo foi passando e nossa amizade crescendo. Nossas caminhadas, nossas viagens, os passeios noturnos pela cidade, até as jogatinas viradas pelas madrugadas. Recordações que sempre vou guardar com tanto carinho.

Tivemos tão grande amizade que adotei sua família como minha e você, a minha como sua. Irmãos, como nos considerávamos. Era mais que impossível não estarmos juntos, era inadmissível. Aprendemos com nossas fraquezas, nossos gostos, nossa imaturidade.

E o quanto aprendi? Você sempre pareceu alguém que decidiu cuidar tanto de mim, como um irmão mais velho. Parecia que eu era sempre aquele descuidado que não me importava com nada e você brigava comigo por isso.

“É isso o que você quer por toda a sua vida? Você precisa crescer, amadurecer, enfrentar o mundo. Desperte, levante e caminhe! Você tem uma viagem inteira para enfrentar” – Eis suas palavras, que tanto me intimidavam, mas me faziam perceber o quanto isso era importante para mim.

E agora, o que me restam são suas palavras e a doce saudade. Tempos que não voltam, eu sei. Não preciso que ninguém me diga. Ainda tive um momento de esperança, mas por que deveria? Demorou um tempo para acreditar que você havia ido embora para sempre. Olho nossas fotos e choro. É assim que o destino decidiu e assim foi feito. Não há como fugir.

Só uma coisa: Espero que, onde quer que esteja, jamais se esqueça de mim. Um dia nos encontraremos para contarmos um ao outro todas as aventuras que não tivemos juntos. Estaremos num lugar melhor sorrindo por estarmos juntos novamente e chorando por termos tanto a nos recordar. Demorará tanto, que serei incapaz de contar e conter minha ansiedade, mas algum dia, algum dia, que ainda nos resta esperança, estaremos juntos. Juntos novamente.

Até lá, deixo meu muito obrigado. Obrigado, meu irmão, por ter ficado comigo por todo esse tempo. Espero que esteja bem.

Tudo Outra Vez

Queria eu ter tido só mais uma chance pra te dizer:

Eu errei, eu sei. É difícil assumir uma culpa tão forte como essa, mas não me leve a mal: eu faria tudo outra vez.

Foi errado o que fizemos, mas era algo que nós dois queríamos. E agora, o que parece é que a culpa cabe apenas à minha pessoa.

Mas eu ainda tenho minha consciência. Vi como tal atitude imatura foi prejudicial a você.

E essa ciência causou conflito em meu corpo e em meu coração. Eu chorei. Chorei, pois, enfim, fiz algo que, alguma vez, já me machucara. Como consequência, quase vi seu casamento de anos se desmanchar.

Era o que nós queríamos, não era? Estava lá, em alguma parte de nossas mentes…

Por um momento, cheguei a pensar que você repensaria sobre sua escolha. E eu esperei, na porta de sua casa até o amanhecer. Você não apareceu.

Era eu ou era ele, lembra? E você fez sua escolha. Escolha essa que me fizera partir. E eu saí de cena. Era o fim de nosso ato. Fui embora, mesmo que machucasse ainda mais nossos corações, mesmo que o meu gritasse: “Vê se volta pra casa, eu quero te ver”.

Eu preferi ir embora de sua vida, pois era meu dever cuidar de você. Eu iria te proteger à minha maneira, como um dia eu havia prometido, lembra? Eu preferi sua felicidade, mesmo que isso custasse a minha.

Sem rumo, sem direção, procurei refazer minha vida. Tá meio difícil de voltar, ainda mais sem você por aqui, mas eu preciso seguir em frente como você fez, não é mesmo?

Sim, eu faria tudo outra vez. Eu lutei por algo que acreditei que algum dia seria meu. Apostei alto e errei. Perdi o que mais temia. Perdi você. Completamente. Profundamente. Eternamente.

Queria eu ter tido só mais uma chance pra te dizer.

I Wanna Be

Matéria duvidosa. Estampados em uma boa capa, uma carcaça tão bem trabalhada e um sorriso tão branco de invejar qualquer fantasma. O que parecia ser algo tão banal, uma tragédia viral.

Deu-se início por um pensamento. Uma opinião. Ora! Não somos livres para pensar? Será que fui interpretado de forma tão ruim? Sim, fui. Ativei a arapuca para meu próprio pássaro, antes tão sonoro.

Mas eu sou alguém. Reles palavras, sempre ignoradas. Ao meu lado uma legião, meu escudo. Atirem em mim, mas os atingirão primeiro.

Atitudes e pensamentos tão raivosos, sumarizou-se uma palavra. Soou-me tão banal que nem remorso presente esteve. Amenizo esse cheiro com meu lamento. “Não passa de uma brincadeira”. Não se ofenda, não é pessoal. Não quero que seja, não precisa ser. São todos iguais. De verdade.

Por fim, faço papel de bom homem. Contradição é a solução. Provo em arte que estão errados. É inveja, de quem não me quer bem. É inveja, de quem não é ninguém.

Sigo tranquilo. É apenas balbúrdia. Se hoje é apenas explosão, amanhã resta apenas o esquecimento, pois eu sou alguém e o alguém sempre tem alguém que não o deixa virar ninguém.

Todo nerd merece um cantinho para chamá-lo de seu

Habitación Virtual

Todo nerd necesita una habitación para llamarla de suya