Das mais belas rimas nasceu você

Quando eu era garoto, um vazio sentimento de nome solidão se apossou de mim. Sentia, de longe, um vento gelado batendo em meu peito assim. Meu coração me apertava e aos poucos matava o que me restava enfim.

Parecia um sentimento inacabado, algo que já me fazia acostumado. Meus domingos, em minha cama deitado, apenas me faziam refletir sobre a vida a qual estava destinado.

Mas algo aconteceu naquele domingo tão diferente, tão empolgante. De longe, eu avistava uma bela dama com olhar distante. E com um brilho de esperança, meu coração confiante,  que seria o seu destino, a partir daquele instante.

Tímido e um pouco inseguro, admirei sua beleza até me dar conta de um olhar correspondido e penetrante. Um pouco vermelho, disfarcei com receio, algo nada preocupante. Segurando meus dedos, voamos sem medo por um desconhecido destino vibrante.

E, desde então florescia, o sentimento mais puro, mais belo, mais vívido, com tanta maestria. Tão próximo do meu amor, discreto e ofegante, a minha alma tão triste a sua invadia. Eu não imaginava, mas enfim acreditava: “Sem você nada seria”. O que era esse calafrio que, então, eu sentia?

Foi com você que vi tudo isso acontecer. Da mais triste solidão, eu vi o amor nascer, quando encontrei você. Foi do meu coração que essa rima se fez transcrever. Olho em seus olhos e te pergunto, com minhas mais sinceras palavras: “Pra sempre juntos, iremos viver?”

Quando eu era garoto, um vazio sentimento de nome solidão se apossou de mim. Com o passar do tempo pude perceber que o que me faltava era seu coração para nele por um fim.

If the World Didn’t Suck (We Would All Fall Off)

Quando eu tinha apenas dois anos,  meu pai, segurando-me em seus braços, olhou-me nos olhos e disse: “Você é capaz de dar seus próprios passos”. Pôs-me no chão e a cena seguinte consistia em um lento caminhar de uma pequena criança numa pequena sala. Quando eu cresci, segurando minha mão, ele me disse: “Não pare até encontrar seu próprio caminho”. Soltou-me e a próxima cena era de uma pequena criança, num corpo de um adulto, caminhando por uma grande sala conhecida como mundo.

E assim minhas primeiras pegadas faziam marcas por longos trilhos percorridos com uma grande interrogação pairada sobre minha cabeça. “Afinal, o que significavam suas doces palavras?”

Com minha mochila nas costas e pouca bagagem, viajei por histórias diversas. Fiz escolhas boas e más. Em algumas estradas, podia relaxar, descansar, tomar um pouco de sol e me banhar em águas claras, sentindo o frescor do vento da colina. Em outros, espinhos, subidas íngremes, buracos, cobras. Outros, não havia nada, simplesmente.

Algumas vezes me perdi. Curvas e bifurcações me confundiam e me intimidavam.Entretanto, fiz-me amadurecer e refletir a cada novo passo. Um pequeno tijolo chamado aprendizado que aos poucos iam levantando um grande castelo chamado sabedoria.

Durante minha jornada, sentava-me à sombra fresca de meus pensamentos e escrevia uma nova poesia. Novos forasteiros se ofereciam para caminhar ao meu lado. Outros, mais pretensiosos, guiavam-me por um caminho próprio. Era minha decisão segui-los ou não. Convenciam a mim sobre o que deveria ou não fazer. Aos poucos me moldavam.

Quando me apaixonei, o amor me levou a uma bela ilha e por um tempo pude apreciar uma nova paisagem. Pomares, represas, tigres e alpinistas, deram lugar a peixes, areia, palmeiras e água salgada. Um novo sabor a ser degustado.

Foi uma breve distração que, por algum tempo, me fez crer que ali se escrevia mais um final feliz. Não era verdade. Quando me dei conta, olhei para os lados e me vi solitário naquele paradisíaco lugar. Não deveria eu ter finalmente encontrado meu caminho?

Ao regressar, um novo impasse: alguns viajantes já não estavam mais ali e algumas de minhas poesias transformaram-se em pó logo soprados pelo vento. Aquela ‘pedra no meio do caminho’, me fizera tropeçar.

Então, pude perceber algo: minha história não terminaria assim. Caminhando por novas estradas, outros viajantes me encontravam e escreviam novas poesias em meu diário. Então, pela primeira vez, senti a liberdade tomar conta de mim. Eu mesmo era capaz de guiar outros tantos viajantes e escutar tão semelhantes histórias vividas.

Por tanto tempo, não percebi que aquele já era meu caminho. Não importava o quanto havia vivido, sempre outros trilhos surgiam e as más escolhas por vezes se repetiam, tais quais as boas, impedientes de desmotivação. Nestas, encontravam-se meu apoio.

Pare um pouco e me ouça com atenção. Se sua mente não tiver ciência de que estamos num ciclo em que apenas alguns personagens e meras características são capaz de sofrer suas generosas alterações, talvez você não compreenda que, enquanto aprendemos a dar nossos passos, já somos escritores de nossos livros, sem direito a apagadores ou borrachas. Somos o que somos para valer, não meros expectadores.

Por isso, é hora de fazer valer. Tenha os pés no chão. Tudo bem se a mente flutuar de vez em quando, é normal, mas lembre-se: você é o personagem principal. Não é hora de se caracterizar tal papel com tamanho afinco?

Ao finalmente retornar a meu lar, coloquei minha mochila sobre minha cama e a esvaziei, admirando cada item retirado. Encontrei poesias, canções, sonhos, odores, sabores, marcas, sujeira, lágrimas, sorrisos, olhares, lembranças, flores, roupas, brigas, amizades, amores, mistérios, verdades, mentiras, sins, nãos, talvez. Encontrei enredo. Encontrei desfecho.

Quando eu tinha apenas dois anos,  meu pai, segurando-me em seus braços, olhou-me nos olhos e disse: “Você é capaz de dar seus próprios passos”.

Nossa Dança

No meio de um palco, os holofotes nos apontam. Estamos envolvidos numa dança muito apaixonante. Eu olho para seus lindos olhos castanhos e os vejo brilharem pelo meu coração. Seu rosto em minhas mãos, seu corpo próximo ao meu. 

Como você conseguiu estar mais linda do que normalmente é? Sinto seu aroma tão suave, capaz de estimular meus sentidos. A mulher que eu mais amo, não é perfeita, mas me faz completo e é disso que preciso.

Amor, há tanto tempo estamos juntos. Meus sentimentos de amor sincero e verdadeiro crescem a cada dia. Seu sorriso cativante me enche de felicidade. Seus lábios, tão doces, capazes de me provocar num beijo demorado.

Todos assistem à nossa dança, mas para mim somos apenas você e eu. Os holofotes não são nada, quando posso sentir seu coração iluminando o meu. Aproximo nossos corpos para senti-los tão suavemente e assim quero ficar até o fim de nossas noites.

“E se algum dia eu ficar velha? Se eu não puder ser capaz de caminhar sozinha, se minha memória falhar e meu cabelo não parar de cair?”, você me pergunta insegura. Carinho, minhas promessas não são suficientemente claras? Não é seu corpo, mas a sua alma pertence a minha. Juntas flutuam de mãos dadas pela eternidade. Segurarei sua mão para que minha presença se faça eterna. Um sorriso seu todos os dias é meu objetivo e o motivo de me fazer levantar todas as manhãs tão disposto.

Então, meu amor, me abrace agora. Deite-se sobre meu peito, enquanto te faço um carinho e bagunço seu cabelo. Beije-me sob a luz do luar. Faça minha cabeça flutuar e meu coração mais forte palpitar. Nosso amor era a chama que me faltava aqui dentro.

Foto de Polina Tankilevitch no Pexels

Correntes Invisíveis

O mundo ao nosso redor está se desmoronando. Vejo o chão empoçado de sangue. O sangue jorrado por tantas mentiras e injustiças que dominam todas essas pessoas que me cercam. 

Tento me manter forte, mas é psicologicamente impossível. Quase isso. Ataques em demasia provindos de lugares que menos espero querem me ver cair e implorar para que eu seja como eles. Eu me recuso todos os dias. 

Conheço-me bem. Viver todos os dias sob essa pele não é fácil. Minha insegurança me aterroriza, mas aprendo a vencê-la dia após dia para que nada possa me derrubar. 

Percebeu como sou? Sou como você, com medo de viver após cada manhã. Às vezes sinto meu coração quase parar de bater, mas deixo a emoção fugir e a razão fala mais alto. Não permitirei que me tirem a única coisa que tenho. Dignidade. 

Olhe agora nos meus olhos. Você me diz que quer morrer, pois esse seu mundo em que você se trancou está cada dia mais fraco. As trincas já se enferrujaram e a madeira já está toda corroída por esses cupins que nos enchem a cabeça de seus próprios fatos. “Você tem que ser como nós”, é como eles te falam, não é? Eu te entendo. 

Venha comigo, eu não permitirei que nossa morte venha tão prematuramente. Lutaremos juntos para encontrar nosso caminho e eles que se ferrem. Não nos subordinaremos, nem permitiremos que a tristeza nos visite. 

Quebre essas correntes invisíveis envoltas em suas pernas. Se não for capaz, eu até te dou uma mãozinha, mas sua ajuda é essencial.  Pare de se lamentar pelas coisas que você não consegue e pensar que pôr fim nisso tudo é a solução. Eu estou aqui, não estou? Sou a prova de que nós temos um espaço por aqui e invadiremos aqueles há quais ainda não pertencemos. 

Não temos que nos assemelhar a nenhum rótulo. Se somos tão parecidos, melhor caminharmos juntos, não? Portanto, vamos à luta. Não desista de mim. Luto a fim de aumentar minha força, mas se estivermos juntos, esse poder que carregamos se multiplica. 

Então, venha! É hora de recuperarmos nossas vidas e encontrarmos tantos outros que sofrem pelo caminho. Venha! Chegou nossa hora de vencer. 

Image by Comfreak from Pixabay

Tempo que vale a pena

Um dia, um grande sábio me contou um segredo sobre o tempo: “Ele não volta”. Parece meio óbvio, não é? Apenas em teoria. 

Pare tudo o que estiver fazendo e pense por um instante. O tempo é um diamante precioso, você precisa saber usá-lo bem. Não deve desperdiçá-lo. Certo? Então, por que perdemos tempo, o tempo todo? 

Veja, por exemplo, num relacionamento de seis anos que se findou há pouco. Num belo dia, você está com alguém e lhe proporciona momentos inesquecíveis. Não tem o mesmo retorno. O que você faz? Releva, certo? Pois é. Acreditando ser um relacionamento eterno, você se despreocupa de coisas pequenas para fazê-lo durar. 

E o que é essa coisa tão pequena? O tempo. Sim! Chegamos ao ponto: o tempo é o que mais se desperdiça. 

Quando o relacionamento, antes perfeito, se acaba, qual a primeira coisa que você pensa? “Poxa, fiz tudo por ela e ela não zelou de mim por um momento. Perdi meu tempo!”. O que você fez? Sim! Apagou todas as boas lembranças por conta de um término ou pela razão dele. 

Você pensa que botou toda a confiança em uma pessoa e, com uma simples má ação, esse sentimento se vai por água abaixo. A culpa cria uma crosta por sua pele, sujando-o e fazendo você sentir nojo de si mesmo. “Foi perda de tempo esse tempo em que estivemos juntos”. 

E como agimos depois disso? Como nos confortamos por termos perdido tão valioso tempo quando poderíamos ter feito outras coisas? Perdemos mais tempo. Como? Trazendo de volta pela janela tudo o que havíamos jogado fora. Lembranças ruins vem à tona e sentimentos amargos tornam a nos visitar. E por quê? Vale a pena perder mais tempo com quem já perdemos tanto? 

Não pense apenas pelo lado de relacionamentos amorosos, mas nas amizades, nos trabalhos que você teve que pouco lhe valeram. Pense naquele curso que você não gostava e fez só para agradar a alguém. Liste tudo que foi ruim em sua vida, mas liste-as e as jogue fora. Pare de perder tempo com todas elas. Você já não perdeu o suficiente? 

Ponha sua confiança no que quiser. Arrependa-se, brigue, xingue, esbraveje. Faça um espetáculo com seus sentimentos, seja você mesmo, sim! E perca mais tempo. Mas, se for agir de tal modo, tire um aprendizado para sua vida. 

Fazemos várias escolhas ruins, jogamos muito tempo no lixo. Como não podemos recuperá-lo, tire disso uma experiência para que menos tempo seja desperdiçado. A vida é uma só, portanto, trate-a com carinho. 

Perca seu tempo, mas troque-o por experiência e faça valer a pena. 

O Tímido

Sempre assim…
Tímido, quieto, bobo
Sempre na dele
Tão timidamente se esconde
De quem o quer tão bem.

Sempre a mesma história:
É pessimista, triste
E até tem um pouco de depressão.
Solidão?
Sua melhor companhia.

Enfrentar o mundo, é preciso
Mas enfrentar a si mesmo
É essencial
É seu próprio inimigo
E, na melhor das hipóteses, o seu melhor amigo.

Solitário, triste, bobo, tímido
Que seja, mas por dentro
Nós sabemos que é o dono do sorriso mais sincero
Da amizade mais confiável
Do segredo melhor guardado.

Portanto, tímido, não fique chateado!
Se parecer perdido, se o destino lhe parecer amargo.
Você sabe que sempre tem alguém
Que te quer bem
Que é tímido também
E desejaria lhe dar um abraço.

Vida Vazia

Alguém bate à porta do meu coração. Era a solidão. Agora ela é minha companhia.

Ela tomou aquele lugar que antes pertencia a você. De repente, você se foi e não me deu explicações. Tudo perdeu o sentido.

Meus amigos percebem que não tenho mais o brilho no meu olhar. Às vezes tentam me animar, contam alguma piada, algum caso engraçado, mas eu não estou ali. Dou um breve sorriso, mas o que quero mesmo é chorar. Meu pensamento está longe, buscando te encontrar, mas não dá, pois tudo perdeu o sentido.

Lá fora, tudo normal, mas aqui dentro, não há mais chão. Esse quarto está tão frio e a solidão, que dorme agarrada a mim faz tudo ficar mais gelado. Tudo tão escuro que nem a lua lá fora é capaz de iluminar a escuridão que invade meu ser.

Parece que estou nas últimas. A cada dia são 24 horas de sofrimento. Choro todas as noites, choro durante o dia. Ninguém me liga mais, me sinto abandonado. Por que você se foi e levou todo o meu sentido de viver? Volte e traga-me novamente a alegria.

Tô tentando fugir dessa vida, eu sei que preciso, mas não dá. Chove dentro de mim e eu não posso suportar. Não durmo, não como, não quero sair de casa. Quero apenas continuar abraçado à minha solidão e nada mais.

Tudo perdeu o sentido.

Tudo posso

Acredito no meu potencial. Acredite no seu também.

Já te falaram alguma vez que nada se conquista tão fácil e você acreditou nisso? Já se sentiu mal por que tantas pessoas conseguiram obras tão grandiosas, enquanto você se esconde nas sombras do próprio fracasso? Alguma coisa precisa mudar, certo?

Ok, vamos lá. Qual seu maior sonho? O maior mesmo, conte-me. Ele é impossível? Será que é mesmo. Primeiro, vamos pensar. Alguém já o realizou? Sim? Então por que você não pode. Não? Será que não é hora de você tentar ser o primeiro?

Acreditar. A primeira palavra-chave. Desistir? Risque essa. O sucesso não será sempre garantido, mas lutar é essencial. Peça ajuda quando precisar, olhe o mundo de uma forma diferente que você conseguirá. Está difícil? Então dê valor, pois quando você conseguir, poderá bater a mão no peito e dizer em alto bom som: “Eu pude, eu consegui, eu lutei, eu sou um vitorioso”.

Vamos tentar de novo: o que mais te fortalece? A família? Os amigos? Deus? Não pense em quem te faz mal, pense em quem te quer bem, quem quer te ver no topo da escada. E se ninguém quiser? Há uma luz dentro de você que o faz acreditar. Alguém, dentro do seu ser, acredita em você. Ponha-o para fora, conte-lhe seu segredo e vá.

Insista, persista, tenha fé, espere. Expectativas te frustram? Tudo bem, é normal. Mas se você se deixar abater por tudo que não dá certo, é certo que nada continuará a dar certo. Tente fazer o que você gosta e tire aquele sentimento de vitória disso, sei que você é capaz, eu já te vi brilhar uma vez e sei que verei novamente.

Portanto, acredite em você. Eu acredito em mim.

E então? Qual o seu sonho?

Foto de Matheus Bertelli no Pexels

O mal do poeta

De todos os males profundo
Vivo aquele que me faz sentir melhor
Pois crio um vasto mundo
Em que me faço maior.

De todos os lugares do mundo
Nado em mares tão rasos e tão profundos
Pois em meus próprios pensamentos
Sou capaz de criar meu mundo.

De tantas belas criaturas
Personagens, histórias e magias faço vida
Com palavras de um distinto adulto
Mas pelos olhos de uma criança ainda não crescida.

Deste mundo que crio ao me sentar
Deste mundo que de mim não só faz imaginar
De todo um mundo que dou asas a voar

Sou rei, sou plebeu, sou príncipe, sou Romeu.
Sou bicho, sou gente, sou árvore, sou mente.
Sou tudo, sou eu.

O mal do poeta é ter um mundo
Um mundo só seu
Um mundo que não existe
Mas um mundo que lhe pertenceu.

Bartender

Oito horas da noite e eu ainda estou em casa, deitada, pensando no quão triste a vida é. Estou em calmos prantos, onde a lágrima escorre timidamente por meu rosto.

O telefone não para de tocar. Minhas amigas. Por um bom tempo, tentam me tirar dessa fossa. Meu sofrimento tem nome e sobrenome. Agora estou deitada, preenchendo de bad feelings aquelas lacunas de um pensamento à beira da depressão.

  • Hey, garota! Levante-se! – Atendi o telefone, enfim.

Era Hillary, a amiga que eu mais odiava e a que eu mais amava. Presente em cada momento meu. Conhece todos os meus segredos e briga comigo por tudo, mas nunca me deixa na mão, mesmo que ela saiba o quanto esbravejo quando sou obrigada por ela a fazer certas coisas, como essa.

  • Saia agora dessa cama, sua vaca! Arrume-se e venha ao Night Club. As garotas e eu estamos te esperando em duas horas. Não me faça ir até aí e arrastar esse seu cabelo oxigenado pelas ruas movimentadas de São Paulo. E nem me venha com desculpas.

Ela sabia que eu a odiaria nos próximos anos, mas levantei-me da cama, troquei aquele velho pijama rasgado, pus aquela maquiagem discreta, tomei um bom banho daquele perfume importado que ela me dera em meu último aniversário, fiz uma demorada escova e dei uma última olhada no espelho. Parecia outra pessoa. Aquela imagem vista em seu reflexo era deslumbrante. Estava na hora de matar meus leões.

Quinze para meia-noite. Entro no bar. Todas as garotas estavam ali, radiantes por me verem. E como estavam lindas. E eu não fiquei para trás, estava tão deslumbrante quanto elas. Éramos as musas daquela noite. Todos os olhares se direcionavam a nós.

  • Nesta noite, algumas tarefas lhe foram destinadas: esqueça-se do nome de seu sofrimento, dê um beijo de adeus no seu passado e divirta-se como nunca.
  • E aí, meninas? Prontas para curtir?

O quinteto estava pronto para detonar.

Hey, bartender. Traga uma dose dupla de whisky. Veja todas essas garotas. Estamos aqui para dominar a pista, portanto sem essa de nos limitar. Não temos hora para terminar.

Duas, cinco, oito, doze. Já perdi a conta de quantas doses já foram tragadas. A pista está bombando e a música, envolvente. Estou me divertindo com minhas amigas. Está tudo perfeito. Que essa noite nunca termine.

O DJ acertou em suas escolhas. A pick-up ferve como um vulcão. Meu canto se expulsa de tal forma que todos podem ouvir. Tenho toda aquela noite há muito tão desejada por mim e me sinto tão bem por isso.

Lágrimas? Não mais! Foram todas transformadas em suor. Danço, pulo, canto, beijo. A pista é meu novo amor e serei sua até o amanhecer. A luz me toca e faz transparecer toda minha feminilidade. Estou me saindo bem? Mal? A quem importa? A alegria me dominou e por toda a noite, se fará presente. Por essa, pela próxima e por todas as outras, o espaço será destinado a ela.

Poderia estar em minha cama chorando, mas decidi estar aqui. Não há escolha melhor. Agora, dê-me sua licença, que a pista me chama para um abraço e de lá não sairei tão cedo. Nem eu, nem minhas amigas. Essa é a nossa noite. A noite das garotas solteiras, porém nunca solitárias.

Hey, bartender. Traga mais uma dose dupla de whisky.