Tem gente que diz que correr 5 km é para qualquer um. Ok, é possível fazê-lo tranquilamente, independentemente do pace que você consiga ter.
Algumas pessoas só conseguiria fazer andando, aquela caminhadinha leve. Outros, já conseguem fazer com uma boa passada, correndo e cansando pouco.
Eu não sou da segunda opção, pode ter certeza. Corrida não é exatamente o esporte que me vem a mente quando o assunto é praticar alguma atividade física, porém, uma das minhas metas neste ano é mudar isso completamente e fazer dela um dos meus esportes principais.
Atualmente, não estou exatamente sedentário, mas posso melhorar. Caminhar é algo que faço com frequência, fazendo a metade do percurso numa média de 30 minutos (ou seja, cerca de 60 minutos para 5 km (Cada km, digamos, 12 minutos?). Então, vamos colocar aqui que, atualmente, eu faça 12 minutos por quilômetro (12 min/km). Isso é o que se chama de pace numa corrida.
Agora, fica a dúvida. Será que, até 31 de dezembro de 2026, eu consiga algum progresso?
Para começar o ano, li “Coraline”, de Neil Gaiman, lançado originalmente em 2002, mas aquela versão bonitinha toda ilustrada. Provavelmente, vocês já conhecem o filme a respeito.
O livro me passou uma impressão de “Alice no país das maravilhas” com a história de mundo invertido de “Stranger Things”, onde a nossa garotinha protagonista, Coraline, encontra em sua casa uma porta misteriosa que dá para uma parede de tijolos, mas que ela consegue atravessá-la por meio de uma chave de portal em formato de pedra com um buraco no meio dada pelas vizinhas, a sra. Spink e Focible.
Neil, o autor, conta em sua introdução que começou a escrever a história para sua primeira filha, tendo como base a própria casa, que era um conjunto de apartamentos que havia sido dividido com outros moradores e adaptou isso para a sua história, onde havia as vizinhas que moravam em um lado do que era a grande casa, o outro vizinho, o sr. Bobo, o mestre dos ratos, que morava em outro andar e esse lado que daria para o mundo invertido. Entretanto, ele demorou tanto a escrever que eles já haviam mudado de casa e a leitora principal, que antes era sua primeira filha, passou a ser a mais nova.
Depois de um começo um pouco devagar, onde o autor apresenta os (poucos) personagens, a história começa a engrenar e parte para uma ação onde a maior parte conta, além da protagonista, a história da vilã, que é chamada de “outra mãe”, mas que eu batizei carinhosamente de “mãe invertida”, exatamente por ela ser vilã.
Cada personagem, com exceção de Coraline, possui a versão maléfica (e com botões no lugar dos olhos) no mundo invertido. Eles possuem uma aparência distinta: são mais altos e mais magros, e trabalham com aquilo que gostavam ou gostariam de trabalhar. As vizinhas trabalhavam numa casa de espetáculos, onde só cachorros a assistem, e o vizinho tem uma ninhada de ratos, que trabalham como espiões para a mamãe malvada. O pai do outro mundo também parece ser malvado no início, mas depois descobrimos que ele apenas está sob o comando dela. Inclusive, isso fica claro quando vemos que ele é preso num casulo em uma espécie de porão que fica em algum canto do terreno.
O mundo em si foi todo inventado pela mamãe que, por algum motivo, queria Coraline como sua filha desejada. Parece um desejo reprimido e, ao vermos que ela fez algo com três crianças no passado, vemos que essa poderia não ser a primeira vez que ela havia feito isso. Infelizmente, não há exatamente uma história feliz para elas, mas há o final mais feliz que elas poderiam ter na situação em que se encontravam (sem spoilers aqui).
Quanto à nossa protagonista, que rapidamente descobre sobre o mundo em que passou a se inserir, ainda mais contra sua vontade, visto de que teria que salvar seus pais daquele sequestro, vemos que ela é uma explorada. Não carrega tantos medos e não se importa de enfrentar a megera, mas comete erros primários como contar tudo que ela havia descoberto ou outros assuntos que ela poderia guardar para si pelo menos até ter informações suficientes para derrotá-la de forma mais fácil. Até mesmo falar desde o início que nunca a amaria e queria seus pais libertos o quanto antes, tópicos que poderiam colocá-la em risco. Por sorte, nenhuma consequência a ela lhe é causada.
A leitura em si é leve, rápida e tranquila, mas faltou certa profundidade na história, visto que a protagonista não sofre nas mãos da outra mãe. Ela também consegue desvendar rápido os mistérios de um caso que ela havia conhecido em dois dias, mas que mesmo assim vale a pena conferir a história.
Alguns destaques do livro:
O Desaparecimento dos Pais e a Descoberta do Outro Mundo O Sumiço: Coraline relata às srtas. Spink e Forcible que seus pais desapareceram sob circunstâncias misteriosas e não retornaram para casa.
O Outro Pai: No mundo alternativo, Coraline encontra o “outro pai”, que possui uma aparência indefinida, semelhante a uma massa de pão em crescimento.
A Natureza do Mundo: O outro pai revela que a “outra mãe” criou apenas a casa e as pessoas nela, e que não existe nada além daqueles limites.
O Confronto com a Outra Mãe e as Almas Perdidas Almas Aprisionadas: Coraline descobre almas de crianças que foram roubadas e escondidas pela outra mãe. Elas a alertam para fugir enquanto ainda possui sua própria alma.
A Proposta de Deleite: Um homem na penumbra tenta convencer Coraline a ficar, prometendo um mundo onde todos os seus desejos seriam realizados e não haveria dias ruins ou refeições desagradáveis.
A Resposta de Coraline: Coraline rejeita a oferta, afirmando: “Eu não quero ter tudo. Ninguém quer. Não necessariamente.”.
O Pacto: Coraline faz um acordo com a outra mãe para tentar resgatar seus pais e as almas das outras crianças.
A Fuga e a Batalha Final Exploração Estratégica: Durante sua busca, Coraline ignora o quintal e o jardim por perceber que não são reais, focando sua procura dentro da casa.
Encontro com a Criatura: Em um porão ou local esquecido, ela encontra uma criatura pálida e monstruosa que confirma que não há nada ali além de “poeira, umidade e esquecimento”.
O Fechamento da Porta: No clímax, Coraline luta para fechar uma porta enquanto algo do outro lado tenta puxá-la. Ela sente a ajuda incorpórea de outras pessoas no corredor — três crianças e dois adultos — cujas mãos se juntam às dela, dando-lhe força para puxar a maçaneta de ferro.
Prestes a completar 15 anos neste 2026, algo que comecei no início da minha fase adulta foi a ter o prazer que sinto até hoje: o de viajar. Claro que viajar aos 20 tem uma pegada bem diferente aos 30. Não temos tanta energia ou tanta paciência como antes, ou aquela vontade de explorar cada pedacinho da cidade, mesmo a pé, mas já temos mais que experiência ou maturidade, e muitas vezes expertises, sobre o que queremos ver, comer, visitar ou o quanto podemos gastar.
Talvez seja consenso que viajar é lavar a alma, descobrir novos mundos, conhecer novas pessoas e experiências. E por mais que eu já tenha viajado muito e conhecido quase metade do Brasil (exagero, talvez?), ainda não tive o prazer de por os pés fora da fronteira.
Mesmo quando viajo para uma cidade que eu já conhecia, a experiência e as memórias são sempre diferentes. Cada hora uma aventura diferente.
Claro que, além dessas viagens, também fazemos nossas viagens digitais, passeando por outros blogs e experimentando a leitura de outras pessoas. E foi numa dessas viagens que me inspirei pra fazer pra fazer esse post, pousando na leitura do blog Telha do Tiago que conta um pouco sobre sua experiência em suas viagens internacionais. No post, ele relembra um período intenso de viagens que ampliou sua visão de mundo, mas que também trouxe incômodos ligados à padronização do turismo e ao impacto ambiental, mostrando, em post a parte, quais os impactos do turismo para a população local.
Tiago também relata que precisou se forçar em uma pausa. Primeiro pela paternidade e depois pela pandemia. E, agora, suas viagens principais passam a ser os livros de seu mestrado.
Com uma dualidade de pensamento entre turista, aquele que quer sempre aproveitar momentos e criar memórias, sempre tirando fotos e gravando vídeos para as redes sociais, e morador local de uma cidade turística, podemos ter um momento de reflexão a partir de seus textos: o que podemos fazer, enquanto turistas, para que possamos aproveitar nossas viagens sem trazer tanto impacto negativo para os viventes locais?
Quando somos meros turistas, precisamos nos lembrar de que não estamos em nossas casas. E, mesmo que estivéssemos, devemos nos lembrar de sempre agir com bom senso. Há o que se curtir, mas há maneiras corretas pra isso. E, devemos entender que, por estarmos em outra cultura ou outro território, o aprender é mais importante do que o ensinar. Faz parte da viagem.
(É claro que essa discussão de turismo pode render um bom debate, mas aí já posso estar entrando em um território um pouco desconhecido pra mim).
De qualquer forma, foi interessante ler um relato em uma visão diferente do meu. E você, o que opina de tudo isso?
De acordo com meu perfil no Last.FM, rede social que registra as músicas que escutou desde 2009, 2025 desbancou o ano de 2023 (7.472 scrobbles registrados, aquele negócio que registra toda vez que você escuta uma música) e passou a integrar a posição de terceiro lugar como o ano que mais escutei música com quase 8.000 plays. A campeã pelo 2º ano foi 2024, seguido de 2016, ambos com mais de 8.000 plays. 2026 a intenção é desbancar tudo isso.
Entre as tantas músicas que escutei, os artistas que descobri e os ritmos que curti, muitas delas foram lançadas realmente em 2025. Vamos ouvir algumas delas?
1 – Karma – Kudai
A banda chilena, que sempre está em hiato e que nunca lança álbuns, Kudai recuperou uma antiga integrante da época em que Nico Natalino não estava presente. Agora eles são 5 (cinco) e Karma acaba se tornando a primeira música deles a conter todos esses integrantes (agora sim, eles estão completos). Aqui ouvimos todo o potencial vocal das três mulheres juntas, com uma sonoridade incrível. Depois dessa, veio outra música, mas vamos ficar apenas nesta. 2026 vem álbum completo com os 5?
2 – Claws – The Haunt
Formada por Anastasia Grace Haunt (vocal) e Maxamillion Haunt (vocal, guitarra), o instagram simplesmente jogou essa bomba na minha cara e saiu correndo. Funcionou! Precisei correr atrás pra saber qual a tal da banda de rock alternativo dos Estados Unidos. Agora, é ouvir tantas outras músicas pra saber se a sonoridade também vai me agradar.
3 – Young & Dumb – Avril Lavigne e Simple Plan
Sempre há algo atual para nós 30+ nos levar pra nostalgia dos anos 90 e 2000 e ninguém pode dizer que Avril Lavigne e Simple Plan representam muito bem aquela época, certo. Certo! E o lançamento da nova canção (e juntos) mostra realmente isso. A garota punk rock que nos fez encantar com seu skate junto dos caras que representaram bem o cenário rock. E se juntassem os dois num único lugar? Ta aí o resultado.
4 – Up from the Bottom – Linkin Park
Em setembro de 2024, após a grande perda do nosso querido Chester, Linkin Park anunciou a volta com uma nova vocalista. Em novembro, fizeram shows no Brasil (que eu pude conferir) e um novo álbum. Pra melhorar ainda mais, em 2025 lançaram mais umas músicas para o novo álbum. Resultado: Up from the Bottom. From zero, com menos de 2 meses lançados, foi o álbum que mais ouvi em 2024 e o responsável por me fazer voltar a comprar CDs físicos, então a adição das novas faixas foi o plus de um presente que eu já havia ganhado. Ah, e quanto à música? Linkin Park, né? Não tem como não ser menos do que perfeito.
5 – End of You – Poppy, Amy Lee, Courtney Laplante
E se juntássemos três vocais poderosos femininos do rock em uma colaboração? Temos a canção “End of You”, pelos vocais de Poppy, Amy Lee, do Evanescence, e Courtney LaPlante, do Spiritbox. Um clipe visual que já começa com os vocais da grande Amy Lee, numa ópera e um clip cheio de efeitos visuais, com aquela temática dark que a gente já conhece.
6 – The Fate of Ophelia – Taylor Swift
A queridinha do pop internacional, Taylor Swift, lançou seu mais novo álbum “The Life of a Showgirl” e ainda nos apresentou um clip com uma vibra burlesca, com alguns temas históricos. Foi trend no tiktok com a dancinha do refrão e ainda veio com uma curiosidade: dizem que a Taylor gravou a coreografia do clip sem a música para que ninguém pudesse conhecer a música antes do seu lançamento. Bom, a loira não poderia faltar na lista.
7 – Você me ama de verdade? – Capital Inicial
Capital Inicial é uma banda que sempre me pega de surpresa com uma música inédita ou diferente que eu ainda não tinha escutado e, pasmem, muitas vezes eu curto mais rápido do que muitas bandas por aí. Eles vêm devagar, mas sempre com os dois pés na porta. Tá, eu sei, você pode dizer que Capital Inicial só foi bom lá na época de Natasha, À sua maneira e Primeiros erros, mas vou te falar que não. Infelizmente, o sucesso deles está muito preso às antigas canções, mas vai por mim: se você escutá-los mais a fundo, podem se surpreender.
8 – Ensacado – Josyara (ft. Pitty)
Não tem clipe, então vai essa mesma. A cantora baiana Josyara chamou Pitty, outra baiana, para um dueto nessa nova canção. Algo calmo e leve que te teleporta para aquele espaço da natureza tranquilo, embaixo de uma árvore enquanto se lê um bom livro. Ah, e sem o calor que está fazendo? Após anunciar seu hiato pós 20 anos de Admirável Chip Novo, Pitty surge em seu último trabalho através dessa colaboração. E ela também fecha nossa playlist de 2025.
Movido por uma memória de tempos remotos e mais simples, eu diria, onde ainda tínhamos o prazer de reunir a família, viajando para outra cidade, me deparo (outra vez) com meu diário escrito há mais de 20 anos. 24, para sermos exatos. Desta data, lembro-me pouco e sinto menos ainda. Por isso, com muito esforço, tento me transportar para aquele dia.
1º de janeiro de 2002, uma terça-feira. Época boa em que minha única preocupação eram boletins, já há muito, perdido seu posto para os famigerados boletos. Naquele diário, nas canetas de um jovem eu, escrevo trivialidades, como qual era minha primeira comida ou minha primeira bebida. Ainda sinto orgulho de dizer coisas do tipo: dormi às 2h e acordei às 8h, coisas que hoje me custam muito para fazer.
Lembro que, antigamente, íamos para uma pequena cidade com pouco mais de 10 mil habitantes, não muito distante da minha (e quase igual em número populacional). Passávamos as vésperas na casa de uma saudosa tia minha, conversávamos com nossos parentes, comíamos as deliciosas frutas e castanhas, seguidas da ceia, acompanhadas de suco e refrigerante. Eram tempos simples onde trocávamos as TVs e os celulares por ruas quase que inóspitas. Éramos crianças e brincávamos com outras crianças, geralmente primos e primos dos primos que mal víamos no dia-a-dia. Ouvíamos as canções das épocas, nos divertíamos e ainda assistíamos a um filme que poderia ser alugado em qualquer locadora. No fim da noite, jogávamos colchões por toda a sala, para poder acomodar todo mundo de outra cidade.
E eu ali: bem novinho, baixinho e de voz aguda, sobrando em alegria e energia o que ainda me faltava em preocupação. Ah, e comendo uma boa ameixa, coisa que ainda faço, e aguardando a virada para, pelo menos, dar uma ‘bicada’ no champagne, após abraçar todo mundo ali naquele ambiente.