Um belo dia de sol e com um dinheiro no bolso que sobrou depois que você pagou todos os boletos possíveis e inimagináveis de contas que você nem havia feito, mas que veio mesmo assim, até maior do que você imaginava, porque não quiseram fazer um desconto pra você, mesmo depois de você ter chorado horrores, porque precisava escolher entre comer e comprar uma fralda para seu filho recém-nascido de apenas 11 anos de idade…

Desculpe, me empolguei. Vou começar de novo.

Um belo dia de muito movimento, você resolve passear pelas lojas do centro, sem nada em mente pra comprar. Você entra numa loja, vê muita coisa legal que você adoraria ter, mesmo não precisando e fica tentando a comprar. Nessa hora, surge o consultor de economia de seu âmago, usando terno e gravata, olha bem para seu rosto e, quando você pensa que lá vem todo um discurso falando sobre ‘você realmente precisa comprar isso?’, ele fecha a cara e te diz: ‘se você não comprar, o desconto vai ser bem maior’. Sim, é o Julius.

Eu fiz de novo, né?

Mesmo não tendo certeza se você quer comprar, chega um(a) vendedor(a) todo simpático, sorrindo pra você e logo fala: “posso ajudar, senhora?”. Então, você sai correndo desembestada pelos departamentos da loja, enquanto tropeça em tudo e joga todos os produtos na cara da vendedora, enquanto ela corre atrás de você, gritando: “Senhora, mas eu só quero vender um produto pra você! Senhora, senhora”.

(Voltando). Se a vendedora for muito simpática e tentar entender suas dúvidas, te ouvindo de forma graciosa e realmente querendo te ajudar (sabemos que o objetivo final dela é a venda), nos sentimos tão bem cuidados por ela que resolvemos comprar o bendito produto, mesmo que bata o arrependimento. Bom, mas aí já está feita a compra e, por incrível que pareça, por termos nos sentido tão bem com ela, podemos voltar e comprar mais algumas coisas inúteis (adotei a partir deste ponto de que a nossa personagem em questão será uma vendedora, não um vendedor, porém, vale para ambos os casos).

Agora vamos para uma situação reversa.

Você precisa de um item específico e descobriu que há um dinheiro sobrando no bolso, pois percebeu que aquele seu filho de 11 anos não precisa mais de fraldas. Entra na loja, procura pelo item, anda por todos os departamentos, dá uma olhada nos produtos que ela vende, faz pirueta, toma um cafezinho, dá uma passadinha no banheiro, ajeita o visual, volta, joga uma prateleira no chão, anuncia no microfone da loja que a pomada para furúnculos acabou e termina fazendo um pique-nique no meio das roupas usando uma toalha que ainda nem foi vendida. Mesmo com muitos vendedores disponíveis, ninguém vai ao seu encontro. Você até os encara por um tempo, porque aquela verruga enorme te chamou muito a atenção e você adorou a nova cor dela, depois que a vendedora ficou horas no salão tentando escolher a cor certa para pintá-la, mas, mesmo assim toda a loja resolveu fazer um complô para te ignorar (oh, céus, por que o mundo é tão injusto). O que fazer?

Mesmo que o citado produto seja o mais barato da cidade naquela loja, eu prefiro sair dali do mesmo jeito que entrei: calado. Fazer um escândalo ou ser mal-educado com alguém não faz parte do meu Starter Pack, pois chamar a atenção não é meu forte e minha timidez às vezes fala mais alto (o que eu prefiro, muitas vezes para evitar constrangimentos). Se você for do tipo que faz algo do que disse acima, por favor, me conte como é a experiência. Vamos trocar figurinhas.

E foi o que fiz recentemente. Preferi deixar a loja, mesmo que demore a encontrar novamente o produto que desejo. Quando há certa indiferença por parte de quem precisamos de ajuda, dá um certo desconforto, pois neste momento você quer se sentir acolhido, mesmo tendo a certeza daquilo que você quer ou precisa. Será que sou só eu?

“Ah, quanta besteira, era só pegar o produto, pagar e ir embora, nem precisava voltar”. Sim, a opção existe, mas eu preferi deixar pra lá, mesmo que futuramente eu faça diferente, naquele momento e naquela situação, eu não estava disposto a continuar mergulhando naquele mar de peixes me ignorando, enquanto poderia estar em casa, quentinho, ralando milho para fazer uma pamonha para o café-da-manhã do dia seguinte (hum, pamonha!). Quando a gente não se sente bem-acolhido, pode ser que o mau humor bata e deixe a gente meio aflito, pensando naquela cena por dias. Então, pra evitar, melhor ir embora. Pra piorar, não era a primeira vez que isso me acontecia naquela loja. Era a segunda! (Uau! Agora fez toda a diferença! Por que você não nos disse isso antes?).

Vendedores, lhes peço: nós gostamos de ser bem-atendidos. Por favor, não nos ignorem. Às vezes entramos perdidos na loja e entramos com tantas dúvidas que chega a ficar desconfortante estar naquele lugar. Tudo bem, há certas pessoas que correriam atrás do vendedor, mas nem todos somos assim. Claro, alguns clientes preferem ficar lá sozinhos em seu mundo, mas só é possível saber após a abordagem (perdão pra quem prefere desta forma, às vezes, até eu prefiro assim).

Escrevendo este texto agora, pensei: eu poderia muito bem ter sentado no chão e esperado até que alguém me notasse ali e dissesse: “o que esse mulambo está fazendo aqui no chão sujo dessa loja? Alguém o tire daqui! Segurança!”.

E você, quando não se sente a vontade, mesmo sabendo que seu filho de 11 anos irá chorar o dia todo em casa, o que você faz?

Crédito pela foto: Pixabay

Rabisque abaixo

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s