No ensino fundamental, os professores lotam a gente de trabalhos criativos. Não só isso, mas trabalhos em grupos. Ali nos anos 90 e início dos anos 2000, ter um computador com internet em casa era um luxo. Biblioteca em cidade pequena também não é um dos melhores lugares do mundo. E aí, o que fazer? Reunir na casa dos colegas!
A logística era bem simples: a gente recebia o trabalho, combinava de fazer o trabalho na casa de alguém e avisava aos nossos pais que, depois da aula, iríamos pra lá. Depois, eles nos buscavam (ou, se fosse perto, a gente ia a pé pra casa mesmo). Como eu estudava a tarde, eu ia pra lá por volta das 17h e voltava pra casa ali pelas 19h.
Os trabalhos eram criativos: a gente tinha que usar cartazes, simular um jornal ou um noticiário, fazia teatros, passos de danças, fazia cópias em folhas. Até visitar uma borracharia eu visitei.
Entre as crianças, sempre tinha aquela mãe que adorava receber as crianças. Ela gostava de ver a casa cheia e sempre nos recebia com algum lanche. A gente ainda aproveitava pra conversar e colocar o papo em dia. Discussão era raro de ter. Éramos crianças! E a gente se divertia por sair de casa e conhecer a casa de outro colega que sempre foi tão diferente.
Eu tinha uma colega de serviço que adorava fazer teatro. Ela criava todo o roteiro e a gente decorava as falas e encenava. Lembro que a gente até encenou “Viagem ao céu”, título do Sítio do Pica-Pau amarelo, do Monteiro Lobato (que ganhará uma publicação aqui no blog). E, na situação, eu era o Pedrinho.
Bons tempos de estarmos reunidos com nossos colegas. Na faculdade também tivemos coisas do tipo, mas não é a mesma criança de quando somos crianças. Os colegas, infelizmente, se vão, mas a memória de ter tido essa conexão com eles sempre será eterna.
