Sem reação. Corpo paralisado, sem voz, sem visão. O vento canta em meus ouvidos e me recorda o filme que vivemos. Então acordo e entro em desespero. Você era a peça que se encaixava em meu peito, mas seus passos se distanciando me mostravam que, pra você, eu não era o mesmo.

Os amigos estão mais distantes, minha família já não se lembra de mim. Passei tanto tempo viajando em nosso plano, que outros mapas foram deixados de lado. Tracei as melhores rotas para juntos explorarmos, marquei os melhores pontos de um romance tão bem imaginado.

Aos poucos, fui me perdendo, encantado pelos seus braços. Parecia tão verdadeiro, será que havia eu sonhado? Você na carência de uma companhia, com palavras iludidas. Calor do momento ou receio de perder para sempre o desejado?

Você tão indecisa em suas respostas, mas em seu roteiro já vinha em letras garrafais a palavra NÃO. Você já estava com outro alguém, mas surgiu pra mim no intervalo longo de seu romance. Eu era o estepe, o figurante, o cara pra quando não se tinha mais opção. E quando foi embora, me deixou aqui confuso, sem saber pra qual direção.

Preciso de você, mas você prefere não se importar. Tento estender meu braço para segurar o seu, mas ele não se move. Eu quem deveria te prender em minhas asas, mas você prefere seguir com quem não aprendeu a voar. Você deixou meu peito marcado, assim como o seu também está. Você tenta se disfarçar, mas o tolo que você conheceu conhece bem o que você viveu.

“Sinto muito”, é o que você sempre dizia, não pelos seus erros, como eu acreditava, mas por sua incapacidade de me amar. Agora que tudo se esclareceu entre vocês dois, não importo mais. Seu rosto segue seco, diferente do meu e as palavras, um dia ditas, permanecem apenas em mim.

Grito forte de dentro, mas as palavras não saem. O silêncio abafa forte, pois estou paralisado. Meu coração está em chamas e esta não é a primeira vez, mas eu não aprendo, não entendo, mergulho de cabeça mesmo. Esse é o meu jeito de ser.

Corri atrás, implorando pra que você pudesse reconsiderar o tempo em que vivemos juntos ou apenas para ter uma explicação dos equívocos que com você cometi, mas eu não havia percebido de que seu coração nunca me quis e, como resposta, apenas recebi um frio “vá embora”. Foi então que compreendi, sozinho, que você só esteve comigo por não ter aprendido a caminhar sozinha. Algo nunca dito entre seus beijos, seus carinhos ou na paz que você me trazia.

Estou sem reação, paralisado, sem voz e sem visão. Estou no centro de um labirinto, sem destino. “Vá embora”, me repito. Aprenda! Não é assim que se trata um bom coração.

Rabisque abaixo

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