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Naquele café

Frente a meu espelho, um sentimento estranho me bate. Um filme antigo se passa de leve em minha cabeça. Não, não parece que tudo se esqueceu. Ainda tenho vagas lembranças. Foi uma breve história, porém intensa e romântica. Hoje, apenas uma brisa amena que não mais me incomoda. 

Hoje, começo uma nova história. Não é estranho que, mesmo sendo a mesma pessoa, nem todos gostam de você? Lembro que era assim. Esse meu jeito simples não agradava aquela velha história que acabara de contar. Agora não. Sou o mesmo para outro alguém que vê com bons olhos quem vejo agora em meu espelho. 

Sabe essa música que está tocando? Ela toca em meu coração. Você a entende? E se eu te dissesse que nem sempre foi assim? Quando antes, em outro relacionamento, era comum eu ouvir coisas tolas sobre ela. Será que era tão difícil de entender o que sinto? Será que era tão difícil de entender que algo sinto? 

Combinamos de ir a um café para conversar. Imagino que você chegaria atrasado, mas não. Você me espera com um belo sorriso e se põe de pé ao me ver cruzar aquela porta. Sento-me ao seu lado e sou contagiado com essa sua alegria. Parece tão bobo, mas não sabe como me faz bem um pequeno gesto desse. Era a primeira vez que eu passava por momentos assim, tão belos. Tão singelos gestos que poderiam melhorar todo um dia. E eu não sei se você pode percebê-lo. 

Você me fala sobre sua família, sobre seu cachorro, sobre seus sobrinhos. Você me conta um pouco sobre sua vida e se interessa em descobrir a minha. Rimos por tantas coisas sem importância e isso me faz tão bem. 

E eu sei que pareço um pouco tímido, mas aquela situação é nova para mim. Ter alguém que possa se importar com algo que achava ser tão banal, pois me habituei a isso. Era assim no meu antigo relacionamento. Nada do que eu dizia parecia importante. Era um gesto egoísta, que só pude entender agora. Acreditava ser algo tão comum. Eu me perguntava: “Que droga! Por que relacionamentos são tão chatos e egocêntricos?” 

Mas você me mostrou que havia flores nesse jardim tão mal cuidado. Vi um pequeno botão se transformar num lindo girassol de esperança. Você se importa com o que eu dizia, você se importa com minhas aflições, você se importa em me ver sorrir. 

E nossos momentos me fazem tão bem que não quero que terminem tão rápido. Você me acompanha até o carro para que tudo se prolongue por alguns minutos. Você demora a se despedir. Quando nossos olhares se desencontram, vem-me, como um furacão, aquele sentimento de parar tudo e correr a seus braços e lhe abraçar para recuperar todo aquele tempo que perdi. Agora eu posso dizer, com toda a sinceridade, que aquele tempo ruim passou. 

Acreditei durante aquele tempo que a única coisa que o amor fazia era partir, queimar e acabar com nossos corações. Mas, foi depois que te encontrei naquele café, que vi que eu poderia recomeçar.

Créditos

Música de inspiração: Begin Again (Taylor Swift)

Imagem de destaque: Designed by ArthurHidden / Freepik

Silêncio que abraça por dentro

Quando tudo parece apertar, às vezes o que mais precisamos é de um espaço interno onde o mundo desacelera. Imagine-se respirando devagar, como se cada inspiração abrisse uma janela para o ar fresco entrar, e cada expiração deixasse ir um pouco do que pesa. Não há pressa, não há exigências, só você permitindo que o corpo encontre um ritmo mais suave.

Às vezes, a calma chega como um sussurro, quase imperceptível no começo. Ela se aproxima quando você se permite simplesmente existir, sem tentar resolver tudo de uma vez. Pense em um fim de tarde silencioso, aquele momento em que a luz fica dourada e o tempo parece se esticar. É nesse intervalo que a mente encontra um lugar para descansar, mesmo que por alguns instantes.

E enquanto você se recolhe nesse pequeno refúgio, lembre-se de que dias difíceis não definem quem você é. Eles passam, mesmo quando parecem intermináveis. Você merece paz, merece leveza, merece um respiro. Que este momento seja um lembrete de que ainda há espaço para tranquilidade dentro de você, e que ela pode voltar sempre que você precisar.

Peso e Alívio

Às vezes eu só queria que o mundo diminuísse o ritmo por um instante. Sinto como se tudo ao meu redor estivesse sempre correndo, sempre exigindo algo, e eu só desejasse um pouco de silêncio dentro de mim. Não é cansaço físico, é aquela vontade de respirar fundo sem sentir o peso do dia grudado nos ombros. Pedir para o mundo parar para eu poder descer, entende?

Tem momentos em que eu paro e percebo que preciso de paz, de um espaço onde minha mente não esteja sendo puxada para mil direções ao mesmo tempo. Eu queria conseguir me desligar da correria, das expectativas, das cobranças que eu mesmo coloco sobre mim. Só queria um intervalo, um respiro, algo que me lembrasse que eu também mereço descanso.

E, no fundo, eu sei que esses pequenos instantes existem — às vezes num gesto simples, num silêncio breve, numa pausa que quase passa despercebida. Talvez eu só precise aprender a enxergá-los melhor. Porque, sinceramente, tudo o que eu quero agora é um pouco de calma, um pouco de leveza e daquele tempinho comigo mesmo.

Onde a calma encontra você

Às vezes, pequeno gafanhoto, o que você precisa não é de silêncio absoluto, mas de um tipo diferente de calma — aquela que surge quando você se permite observar o mundo com mais suavidade.

Imagine-se sentado em um lugar tranquilo, ouvindo o som distante de uma fonte ou o farfalhar de cortinas tocadas por um vento leve. Nada exige sua atenção imediata. Você apenas sente o corpo repousar, como se cada músculo entendesse que pode finalmente soltar o peso que carregou o dia inteiro. É um momento seu, íntimo, onde o tempo parece se esticar só para te dar espaço.

E enquanto você respira devagar, percebe detalhes que normalmente passam despercebidos: o cheiro de algo familiar no ar, a textura de um tecido macio entre os dedos, a luz suave que entra pela janela e colore o ambiente de um jeito quase poético.

Esses pequenos instantes, tão simples, têm uma força enorme. Eles lembram que a vida não é feita só de obrigações e pressa — também é feita de pausas que aquecem, de sensações que acolhem, de momentos que devolvem equilíbrio. E você merece cada um deles.