O mundo corporativo, para uma criança, é completamente diferente. Parece um mundo mágico, mais divertido, mais criativo e gigante. Isso, talvez aconteça por sermos aquelas crianças que conseguem tirar a diversão de todos os lugares.
Quando era criança, meu pai me levava, às vezes, para o seu trabalho. Era uma viagem de quarenta (e poucos) quilômetros até a cidade onde ele trabalhava. Uma cidade pequena, de pouco menos de 5 mil habitantes, onde ele tem (até hoje) um escritório de contabilidade.
É aquilo: computadores antigos, máquinas de escrever, cheques, poucos funcionários e etc. Eu, às vezes, conversava com os colegas de trabalho e, quando queria passar o tempo, brincava com rascunhos, desenhando, escrevendo, datilografando na máquina de escrever, desenhando no paint e etc. Cheguei a desenhar cheques, escrever histórias e até fazer revistas. Claro, tudo perfeito na cabeça de uma criança.
A gente almoçava numa pensão (a única) que tinha ali. Era uma comidinha bem caseira e bem gostosa e éramos sempre muito bem tratados pelos donos de lá. Eu achava um máximo me servir e ainda ouvir da cozinheira, por exemplo, que eu poderia pedir um ovo que ela imediatamente fritava pra mim (me achava um rei por conta disso).
Antes de voltarmos ao escritório, dávamos um passeio pela cidade a pé mesmo. Depois, no fim da tarde, voltávamos para casa.
Bons tempos.
