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Na virada de 2002

Movido por uma memória de tempos remotos e mais simples, eu diria, onde ainda tínhamos o prazer de reunir a família, viajando para outra cidade, me deparo (outra vez) com meu diário escrito há mais de 20 anos. 24, para sermos exatos. Desta data, lembro-me pouco e sinto menos ainda. Por isso, com muito esforço, tento me transportar para aquele dia.

1º de janeiro de 2002, uma terça-feira. Época boa em que minha única preocupação eram boletins, já há muito, perdido seu posto para os famigerados boletos. Naquele diário, nas canetas de um jovem eu, escrevo trivialidades, como qual era minha primeira comida ou minha primeira bebida. Ainda sinto orgulho de dizer coisas do tipo: dormi às 2h e acordei às 8h, coisas que hoje me custam muito para fazer.

Lembro que, antigamente, íamos para uma pequena cidade com pouco mais de 10 mil habitantes, não muito distante da minha (e quase igual em número populacional). Passávamos as vésperas na casa de uma saudosa tia minha, conversávamos com nossos parentes, comíamos as deliciosas frutas e castanhas, seguidas da ceia, acompanhadas de suco e refrigerante. Eram tempos simples onde trocávamos as TVs e os celulares por ruas quase que inóspitas. Éramos crianças e brincávamos com outras crianças, geralmente primos e primos dos primos que mal víamos no dia-a-dia. Ouvíamos as canções das épocas, nos divertíamos e ainda assistíamos a um filme que poderia ser alugado em qualquer locadora. No fim da noite, jogávamos colchões por toda a sala, para poder acomodar todo mundo de outra cidade.

E eu ali: bem novinho, baixinho e de voz aguda, sobrando em alegria e energia o que ainda me faltava em preocupação. Ah, e comendo uma boa ameixa, coisa que ainda faço, e aguardando a virada para, pelo menos, dar uma ‘bicada’ no champagne, após abraçar todo mundo ali naquele ambiente.

Tempos bons.

A experiência de mochilar

Talvez fosse mais divertido sair por aí, viajando de planeta em planeta, pegando carona pelas naves, com um amigo que tenha vindo de um pequeno planeta próximo de Betelgeuse, carregando apenas sua tolha e um guia. Conhecer lugares impressionantes, povos interessantes e culturas diferentes, com crenças, línguas, sotaques e paisagens diferentes. O único revés seria nosso planeta destruído, mas aí seria mero detalhe.

Mas para mochilar, não é preciso sair de nosso planeta – pode-se fazer por este aqui mesmo (eu sei que você queria outras opções, mas vamos enaltecer aquilo que é nosso). E você pode encontrar povos, culturas, histórias, sotaques, tudo por aqui mesmo, sem precisar esperar uma nave Vogon para ser invadida.

Mochilar requer enfrentar certos desafios. É preciso ter coragem (ou enfrentar o medo), é preciso disciplina, algum dinheiro no bolso e vontade de conhecer o novo. Lembre-se de que estamos falando de mochilar, não de viajar, que tem certa diferença. Mochilar é colocar a mochila nas costas e partir, algumas vezes sem rumo, a fim de novos desafios.

Confesso que, apesar de precisar de algumas skills para tal quest (aspirantes de RPG entenderão), muitas eu tive que adquirir na marra, como a coragem (ter um nível aceitável de segurança nunca foi meu forte), disciplina então nem se fala (eu estava mais para ‘vamos ver no que vai dar’) e, apesar de ter economizado alguma grana, certas ocasiões na viagem eu preferi abrir mão para não gastar um pouco mais de dinheiro. Então, depois de ter prometido pra mim mesmo que algum dia faria uma viagem sozinho, resolvi fazer meu primeiro mochilão, passando pelo sul do Brasil, partindo de São Paulo.

Viajar por lugares desconhecidos gera muitas dúvidas. Você fica se perguntando o que irá acontecer, quais histórias acontecerão, quanto dinheiro irá gastar, quem você irá conhecer. Por tantas questões é que me batia certa insegurança.

Cada qual tem sua experiência e eu considero que ainda não tenho certa maturidade para dar dicas e sugestões para quem quer sair desbravando por aí, mesmo que tenha passado quase 30 dias fora, entre 8 cidades (apenas). Porém, posso dizer que a experiência é incrível.

A parte mais interessante foi de conhecer novos amigos e suas histórias, partilharmos momentos mágicos e únicos para cada um de nós, mesmo partindo de modos diferentes. Mesmo que eu tenha viajado sozinho, nunca estive sozinho, independente de qual destino. Entre tantas cidades, cheguei a dormir em 3 hostels (é esse o plural de hostel?) que são aqueles albergues em que você aluga uma cama apenas num quarto onde dormem muitos desconhecidos, o que me proporcionou essas amizades. Sim, pra quem gosta de sua privacidade ou de manter sua intimidade intacta, sugiro que evite a ocasião, mas pra mim valeu a pena.

Não se trata apenas de estar solteiro, é preciso ter um espírito aventureiro, como um casal mexicano que conheci em uma dessas viagens que resolveram se unir para desbravar toda a América Latina (achivement que ainda almejo). Eles buscavam hostels ao redor do mundo que trocavam sua mão-de-obra por um lugar para se hospedarem (com direito a comida, banho e cama). Se eu tenho coragem de fazer isso? Não ainda. Mas sei que muitos casais sequer se arriscariam, por ser uma realidade livre demais (e nômade). Agora, se você já tem toda uma vida já construída, com sua casa, seu emprego fixo, sua família e seus amigos e queira mochilar por um período muito longo, só será possível deixando tudo pra trás e dando a cara a tapa (exceções existem, porém ainda desconheço).

Quando voltei da minha longa viagem, os comentários que eu ouvia eram: “eu queria muito fazer isso que você fez, mas:
1 – isso não é pra mim
2 – não tenho coragem
3 – preciso ter minha privacidade
4 – meu(a) marido/esposa não gosta desse tipo de coisa”.
Percebi que sempre havia algum motivo que impedisse tais pessoas. Tudo bem, cada um tem seu motivo e é algo que eu não indicaria para todos, mas quem quiser fazer, faça, mesmo que por pouco tempo, como no meu caso. Você traz uma bagagem muito maior do que levou, de uma forma que a metáfora me permite dizer.

Este texto está um pouco genérico e, talvez alguns tenham ficado curiosos para mais detalhes de como foi minha viagem, porém como este é um texto um pouco longo, vou discorrendo um pouco mais das minhas experiências ao longo de outras postagens, não só desta viagem, como de outras que fiz. Mas deixo aqui uma dica simples, porém valiosa: mesmo que seja apenas para sua cidade vizinha, viaje! Você pode se surpreender.

Um abraço.

Créditos da imagem: Image by Free-Photos from Pixabay

Viagem ao Mato Grosso do Sul

Esta história me aconteceu há 10 anos, quando eu ainda não tinha completado nem 10 de vida ainda. A primeira vez que viajei para o estado do Mato Grosso do Sul, mais especificamente na cidade de Coxim. Quer dizer, não exatamente na cidade, mas numa área rural. Tudo começou quando alguns amigos adultos decidiram que seria uma boa ideia sair para pescar numa cidade que levaria 12h de carro.

Pra você entender, não eram só amigos, mas também família. Lembro de ter ido avô, tios, primos e amigos dos meus pais. Em realidade, fomos em quatro carros e a ideia era dormirmos em barraca, cada família havia levado a sua. Além das barracas, um barracão, de dois cômodos, também pode ser usado. Em um, fizemos uma área grande para jogarmos os colchões e em outro era a cozinha, onde fazíamos o almoço e a janta. A área para armarmos as barracas e as mesas era grande também. O chuveiro ficava um pouco afastado e em frente onde pousamos, havia um rio, onde podíamos nos esconder na areia (era uma mini-prainha) ou mergulharmos no rio.

Próximo dali, tinha a fazenda do dono do local que nos alugou aquele pedacinho de terra (não sei exatamente como poderíamos chamar aquele local). Lá tinha piscina, então, aproveitávamos para irmos lá para nadarmos. Como eu não sabia nadar e, até presente momento, continuo sem saber, ficava mais na borda da piscina. As primas mais velhas aproveitavam para tomar o bronze.

A memória não está muito boa, mas acredito que passamos a segunda quinzena de julho por lá. Lembro-me de ter perdido três dias de aula. Uma experiência que eu poderia repetir, quem sabe?

Ah, pra finalizar, antes de irmos embora, alguém trancou o carro com a chave dentro. Deu trabalho, mas, no fim das contas, deu tudo certo.