Comunicar é o ato de tornar comum, conhecido. Toda vez que tornamos algo comum, conhecido por alguém, estamos realizando um ato de comunicação. Várias linguagens podem ser utilizadas para exercermos atos de comunicação: a linguagem dos surdos-mudos, o código Morse, as placas e os sinais de trânsito, etc.
Linguagem é todo sistema de sinais convencionais que nos permite realizar atos de comunicação. De acordo com o sistema de sinais que utiliza, a linguagem pode ser:
Verbal – aquela cujos sinais são as palavras. A língua que você usa para atos de comunicação é linguagem verbal. A palavra verbal provém do latim verbalis, que, por sua vez, vem de verbum, que significa palavra.
Não verbal – aquela que utiliza outros sinais que não as palavras. Os sinais empregados pelos surdos-mudos para efeito de comunicação constituem, portanto, um tipo de linguagem não verbal. Da mesma forma, o conjunto dos sinais de trânsito utilizados para orientar os motoristas e as bandeiras que orientam os pilotos em corridas de automóveis constituem um tipo de linguagem não verbal.
Sem dúvida alguma, a linguagem que mais utilizamos para praticar atos de comunicação é a língua. A língua é a linguagem que usa a palavra como sinal de comunicação. Trata-se de um sistema de natureza gramatical, pertencente a um grupo de indivíduos formado por um conjunto de sinais (as palavras) e por um conjunto de regras para sua combinação. É, portanto, uma instituição social de caráter abstrato, exterior ao indivíduo que a utiliza, que somente se concretiza através da fala, que é um ato individual de vontade e inteligência.
Dessa forma, a língua possui um caráter social: ela é patrimônio de toda uma coletividade. (Por exemplo, a língua portuguesa é patrimônio de toda a comunidade de falantes da língua portuguesa e só a comunidade pode agir sobre ela). Entretanto, cada membro da comunidade pode usar a língua de forma particular, criando, assim, a fala.
Língua – é o conjunto de sinais baseados em palavras.
Também não devemos confundir língua com escrita, já que são dois sistemas distintos. A escrita representa um estágio posterior de uma língua, tanto que muitas pessoas utilizam a língua sem saber utilizar sua forma escrita (por exemplo, os analfabetos). Há, ainda, muitas línguas ágrafas, isto é, que não são representadas por nenhuma forma de escrita.
Embora todos no Brasil falem o português, existem usos diferentes dessa língua em decorrência de inúmeros fatores, entre os quais destacamos os seguintes:
Fatores regionais – você já deve ter percebido que o português falado no Sul do país difere do português falado no norte. Mesmo dentro de uma mesma região, encontram-se variações no uso da língua.
Fatores culturais – o grau de escolaridade e a formação cultural do indivíduo são também fatores que determinam usos diferentes da língua. Uma pessoa escolarizada utiliza a língua de maneira diversa da pessoa que não teve acesso à escolarização formal.
Fatores contextuais – um mesmo falante altera o registro de sua fala de acordo com a situação em que se encontra. Numa roda de amigos em que se discute futebol, o falante utiliza a língua de maneira diversa daquela que utilizaria ao solicitar um emprego numa empresa. Por outro lado, a forma oral geralmente se caracteriza por uma maior espontaneidade do que a forma escrita.
Fatores naturais – o uso da língua pelo falante sofre influência de fatores naturais, tais como sua idade e sexo. Uma criança não utiliza a língua da mesma forma que um adulto, daí falar-se em linguagem infantil e linguagem adulta.
Níveis de Linguagem – Em decorrência do caráter individual da fala, podemos observar vários níveis, também chamados níveis de linguagem ou registro:
Nível coloquial-popular: é a fala que a maioria das pessoas utiliza no seu dia a dia, sobretudo nas situações informais. Caracteriza-se pela espontaneidade; ou seja, quando empregamos um nível coloquial popular, não estamos preocupados em saber se aquilo que falamos está de acordo ou não com as normas estabelecidas pelas convenções que sustentam o uso formal.
Nível formal-culto: é o nível de fala normalmente utilizado pelas pessoas em situações formais, bem como pela grande maioria dos órgãos de imprensa. Caracteriza-se por um cuidado maior com o vocabulário e pela obediência às regras que estabelecem o uso padrão.
É claro que existem outros níveis de fala além do coloquial-popular e do formal-culto. A fala que alguns profissionais, como advogados e economistas, utilizam no exercício de suas atividades corresponde a um nível chamado profissional ou técnico.
A utilização da língua com finalidade expressiva pelos artistas da palavra (poetas e romancistas, por exemplo) corresponde a um nível chamado artístico ou literário.
Referência:
Português: Linguagens
Autores: William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães
Vol. Único — Editora Atual
Comunicação e Língua Portuguesa Linguagem, língua, fala
